19 abril 2013

Prémio Jellicoe para Gonçalo Ribeiro Telles

Ribeiro Telles foi distinguido com o mais importante prémio dedicado à Arquitectura Paisagista, atribuído em Auckland na quarta-feira, dia 10 de Abril. O prémio distingue profissionais com "um impacto incomparável" na profissão.




O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles foi esta quarta-feira distinguido com o Nobel da Arquitectura Paisagista, o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, pela federação internacional do sector.

O prémio, segundo a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP), "representa a maior honra que a Federação Internacional dos Arquitectos Paisagistas (IFLA) pode conceder e reconhece um arquitecto paisagista, cuja obra e contribuições ao longo da vida tenham tido um impacto incomparável e duradoiro no bem-estar da sociedade e do ambiente e na promoção da profissão de Arquitectura Paisagista".

Gonçalo Ribeiro Telles estava, “evidentemente”, muito satisfeito como prémio e disse ao PÚBLICO que espera que chame a atenção para muitos dos problemas que o levaram a receber o prémio: "Problemas que têm preenchido a minha vida e que eram entendidos como utopias.” Depois, ri-se, e diz que o prémio é uma “couraça”, uma defesa que lhe vai permitir continuar a dizer o mesmo, agora com reconhecimento internacional.

Da sua vida profissional, o arquitecto paisagista destaca o estabelecimento em 1983 das reservas agrícola e ecológica nacionais, “figuras de planeamento que deviam estar incluídas com mais sapiência no ordenamento do território” e “a defesa de uma agricultura em função do território e da instalação das pessoas”.

Ribeiro Telles diz que temos “uma paisagem policultural de grande valor e expressão”, mediterrânica, que sofreu “anos e anos de uniformização como se não houvesse uma história”. “Houve uma ocupação do território abusiva e uma degradação do solo para benefício da especulação urbana e das culturas extensivas”. Ribeiro Telles denunciou, e continua a denunciar com a mesma energia, “a eucaliptização do país” e quando falamos de floresta ou de política para a floresta, uma palavra que não é nossa, prefere falar de “mata”, de “silvicultura”, “agricultura”, “regadio”, “montado”, “souto”. “Tudo isso é apagado por uma visão economicista”.

"Ribeiro Telles é um clássico"
"É um momento muito importante para Portugal. O grande reconhecimento que é devido a este homem, único, vem de fora, dos seus pares internacionais", diz a arquitecta paisagista Aurora Carapinha ao PÚBLICO, que organizou a homenagem a Ribeiro Telles que teve lugar na Fundação Gulbenkian em 2011. "É um homem único não só pela forma como exerceu a profissão, mas também pela sua dimensão humanista, pela partilha do conhecimento."

Aurora Carapinha explica que Ribeiro Telles "é o grande mentor ideológico de toda uma política de paisagem", que se desenvolveu em Portugal mesmo antes de outros países e que ela recua até aos anos 1960. Essa forma singular de olhar a paisagem procura "uma relação íntima entre a cultura e a natureza". Carapinha sublinha também "a introdução da ecologia, não de uma maneira fundamentalista, mas como um dos primeiros elementos base do trabalho". Conceitos como "biodiversidade", "multifuncionalidade", "equilíbrio", "dinâmica" e "a noção de recurso finito" começaram a ser desenvolvidos muito cedo por Ribeiro Telles na sua prática profissional.

O filósofo e ambientalista Viriato Soromenho Marques lembra-se de ver Gonçalo Ribeiro Telles na televisão em 1967, a falar sobre as cheias em Loures que mataram 500 pessoas. O impacto das palavras do arquitecto paisagista foi grande, porque Ribeiro Telles foi directo: na origem daquelas mortes estava a construção em cima de um leito de cheias. “Era pouco habitual ouvir alguém fazer críticas na televisão naquela altura.” Hoje, sabendo da distinção atribuída pela IFLA, não hesita em dizer que “o que é duradouro não é o moderno, é o clássico - e Ribeiro Telles é um clássico”.

E um clássico de Gonçalo Ribeiro Telles é o seu discurso de defesa do território, seja na sua acção política seja na sua prática arquitectónica. Há, por um lado, o Jardim da Fundação Gulbenkian, “um capital activo” de que tanta gente diariamente usufrui, comenta Soromenho Marques, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mas há também a história, a história política e social que lhe dá hoje razão. Ribeiro Telles “continua a trabalhar com muita intensidade cívica a situação dramática que o país está a viver, sendo que o grande legado e a grande mensagem histórica de Ribeiro Telles para Portugal é de que a soberania de um país depende da sua capacidade de tratar o território com cuidado suficiente para que o possa suportar”.

Soromenho Marques tanto refere obras arquitectónicas de Ribeiro Telles quanto posições políticas do agora premiado quanto, por exemplo, à transformação das florestas em espaços de monocultura para fins industriais, ou na sua defesa do uso da tecnologia para manter as pessoas junto à terra.

No fundo, diz o professor, antes e depois de ter ocupado cargos políticos, Ribeiro Telles “defendeu sempre que o destino de Portugal em busca de um novo enquadramento estratégico na Europa dependia da nossa ligação ao território”. E hoje “estamos presos pelo estômago. Imagine-se a nossa capacidade negocial com a Alemanha se tivéssemos a capacidade de sustentar o país. O problema central [da crise actual] é a insustentabilidade de recursos”, remata Viriato Soromenho Marques.


A entrega do prémio aconteceu esta quarta-feira durante uma sessão do congresso, ao arquitecto paisagista Miguel Braula Reis, presidente da APAP, que o recebeu em representação de Gonçalo Ribeiro Telles, de 90 anos. Braula Reis leu um texto escrito pelo premiado, ao mesmo tempo que foi exibido um vídeo, gravado nos Jardins da Gulbenkian, com uma mensagem de agradecimento de Ribeiro Telles.


Nesse texto de aceitação do prémio, Ribeiro Telles recua à sua memória das viagens anuais de Lisboa a Coruche, todos os natais, como uma experiência que “omnipresente” na sua carreira porque “ficava sempre espantado quando encontrava um mundo diferente daquela avenida axial e movimentada no centro da cidade”, a Avenida da Liberdade, onde estudava e brincava. O “apelo da quase ruralidade”, “o mistério do montado” fazem parte da paisagem a partir da qual aprendeu, escreve.

No mesmo texto, o arquitecto volta aos temas que lhe são próximos: a ligação da tecnologia e urbanismo, a ideia de “paisagem global” que cunhou em 1990, à “modernidade como junção tanto de rural quanto de urbano”. E presta tributo a Francisco Caldeira Cabral, o pioneiro da arquitectura paisagística em Portugal, para falar da missão destes profissionais na humanização da natureza e como, no fundo, “um fabricante de paisagem”.

"O espaço carregado de memórias"
Para o arquitecto paisagista João Gomes da Silva, este é um reconhecimento muito importante por se tratar de um prémio “que distingue a carreira [de Ribeiro Telles] num contexto mundial. Ribeiro Telles é uma figura única, é merecedor deste prémio”, diz ao PÚBLICO o arquitecto, responsável pela requalificação da Ribeira das Naus, em Lisboa, acrescentando que Ribeiro Telles representa o “desenvolvimento que as sociedades europeias escolheram no pós-guerra”. João Gomes da Silva destaca ainda que foi Ribeiro Telles quem “estabeleceu a disciplina da arquitectura paisagista em Portugal”. “Além disso tem uma dimensão política notável”, sublinha o arquitecto.

“Preocupou-se sempre com as questões do ordenamento do território e soube mostrar aos cidadãos como é importante olhar para o espaço onde habitamos”, continua João Gomes da Silva, contando que mantém uma relação especial com Ribeiro Telles, com quem já trabalhou. “Há qualquer coisa dele que passou para mim”, diz, falando de uma capacidade de procurar entender o espaço que habitamos, “o espaço carregado de memórias”. “Ele tem de facto uma sensibilidade em relação à memória”, garante, lembrando a obra da Capela de São Jerónimo, em Belém. “É um projecto seu menos conhecido mas que é notável pelo seu resultado espacial e sentimental. Faz um eixo espacial com a Torre de Belém. É um eixo simbólico entre a capela, que era onde os navegadores rezavam antes de partirem, e a Torre de Belém, às portas do rio.”

João Gomes da Silva não esquece também o projecto dos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, “uma obra ao nível da linguagem emergente daquela altura lá fora”.

São da autoria de Ribeiro Telles, entre outros projectos, o Corredor Verde de Monsanto e a integração da zona ribeirinha oriental e ocidental, na Estrutura Verde Principal de Lisboa. Gonçalo Ribeiro Telles também é autor dos jardins da sede da Fundação Calouste Gulbenkian, que assinou com António Viana Barreto (Prémio Valmor de 1975), e dos projectos do Vale de Alcântara e da Radial de Benfica, do Vale de Chelas, e do Parque Periférico, entre outros.

O Prémio IFLA Sir Geoffrey Jellicoe foi criado em 2004, e o primeiro galardoado, no ano seguinte, foi o arquitecto Peter Walker, dos Estados Unidos, seguindo-se, em 2009, Bernard Lassus, de França. Em 2011 foi distinguida Cornelia Hahn Oberlander, do Canadá, e, em 2012, Mihaly Mocsenyi, da Hungria.

Este galardão, considerado o “Nobel” da arquitectura paisagista, que tem paralelo no Prémio Pritzker de arquitectura, comemora a contribuição extraordinária para a IFLA do arquitecto paisagista britânico Sir Geoffrey Jellicoe (1900-1996), fundador daquela federação internacional.

O júri do prémio inclui arquitectos paisagistas das quatro regiões da IFLA, “que representam o âmbito académico, a prática pública e privada, e possuem um profundo conhecimento da profissão, dos seus profissionais-chave e da prática internacional”.

Nascido em Lisboa a 25 de Maio de 1922, Gonçalo Pereira Ribeiro Telles licenciou-se em Engenharia Agrónoma e formou-se em Arquitectura Paisagista, no Instituto Superior de Agronomia, na capital portuguesa, onde iniciou a vida profissional como assistente e discípulo de Francisco Caldeira Cabral, pioneiro da disciplina em Portugal, no século XX.

28 março 2013

Moss Graffiti | Graffiti com Musgo


Alguém já viu ou tentou fazer este tipo de intervenção ecológica? Os Graffitis com musgo são brilhantes e excepcionais, além disso, são super fáceis de fazer, tendo sempre as vantagens de serem efémeros e de não danificam de forma alguma a fachada ou superfície onde são aplicados. Deixo-vos mais algumas imagens assim como um passo-a-passo!



26 março 2013

DIY | Moss Graffiti


Materiais
  • 3 mãos cheias de musgo
  • 700ml água morna
  • Liquidificadora
  • 2 coelheres (chá) gel de retenção de àgua
  • 120ml soro de leite coalhado
  • Recipiente, pincel e vaporizador

Instruções
1) Na liquidificadora juntar o musgo desfeito e verter a água;
2) Juntar o gel de retenção de água;

3) Juntar o soro de leite coalhado;
4) Triturar até formar um gel, durante 2 a 5 minutos aproximadamente;

5) Colocar num recipiente;
6) Pintar com o pincel numa superfície em cimento, betão ou madeira;

7) Pulverizar todas as semanas;
8) Aprecia a tua arte a crescer!

24 março 2013

Ecoduct - Passagem para a vida selvagem

Ecoduct, Wildlife Bridge, Ponte Natural, Ponte Verde, Viaduto de vida selvagem, enfim, são vários os nomes que podemos dar a estas estruturas que servem como passagem, para a vida selvagem, sobre as infra-estruturas viárias que truncam o território. Essas passagens são implantadas em algumas regiões de forma a que o habitat selvagem não seja drasticamente interrompido pela construção de auto-estradas ou linhas férreas, permitindo a passagem segura de animais entre ambos os lados. Estas podem ser superiores ou inferiores às vias e geralmente tentam reproduzir o mais perto possível a aparência e aspecto do habitat envolvente, de forma a dar-lhe continuidade. Pessoalmente considero este tipo de projectos uma ideia excelente, dessa forma serão certamente reduzidos os índices de mortalidade animal, assim como será mais fácil manter a continuidade das espécies. Ficam aqui alguns exemplos:

Ecoduct De Woeste Hoeve | Holanda

Na Holanda existem mais de 600 passagens (incluindo as subterrâneas) que são utilizadas para proteção da população de javalis, veados, corços e texugos.


Grevesmühlen | Alemanha

Borkeld | Holanda

Banff National Park | Alberta, Canada

No Parque Nacional de Banff, em Alberta no Canadá existem actualmente 41 estruturas de passagem, sendo que 6 delas são subterrâneas, auxiliam na travessia dos animais selvagens a Trans-Canada Highway. Desde 1996, quando o monitoramento destas passagens começou, 11 espécies de grandes mamíferos, incluindo ursos, alces e pumas tem utilizado a passagem mais de 200.000 vezes.

Lago Keechelus | Washington, USA

10 fevereiro 2013

Horta em vasos!


Já comecei a preparar as sementes para a próxima sementeira na "horta"! Apesar de viver num apartamento, não é de todo impossível recriar ou tentar ter uma pequena horta, contudo o tipo de plantas a utilizar terá de ser mais limitado. Os vasos ou recipientes têm de ter um tamanho razoável e não ser demasiado pequenos, desde que tenham uma altura mínima de 35 a 40 centímetros já é possível (no caso de plantas aromáticas podem ser mais pequenos) É preciso ter em conta que o espaço disponível depende a diversidade de hortícolas a cultivar. É também importante que sejam feitos furos de drenagem da água no fundo do vaso (caso este ainda não os tenha) para que as raízes das plantas não apodreçam. Podem no entanto colocar um prato no fundo dos vasos para que essa água não seja inteiramente desperdiçada. Se por ventura utilizarem vasos em barro lembrem-se que nestes o substrato seca mais depressa e portanto exigem uma rega mais frequente. 

Aqui ficam algumas das Plantas que podem utilizar para uma Horta em Vasos

Plantas Aromáticas
Cultivar ervas ou plantas aromáticas em vasos permite escolher a terra e a situação mais adequadas a cada uma das espécies. Os vasos colocados junto à porta da cozinha ou no parapeito da janela estão sempre à mão e resolvem a falta de espaço. O tamanho do vaso deve adequar-se à planta. Uma planta mais alta precisa de um vaso largo para não cair com o vento. Certas espécies como o loureiro gostam de ter as raízes congestionadas portanto não os cultivem em vasos muito largos.
Plantas invasivas, como a hortelã, também se dão bem em vaso e são mais fáceis de controlar. Podem cultivar as seguintes plantas: coentros; salsa; tomilho; manjericão; manjerona; chá-de-príncipe; poejo; oregãos; cebolinho; salva; alfazema; alecrim; rudbéquia; erva-cidreira; estragão; segurelha; hortelã-pimenta; murta; lucia-lima; etc.


Legumes
Encher vasos, tinas e floreiras com diversos legumes é uma das melhores soluções para quem, tal como eu, tem pouco ou nenhum jardim para cultivar os seus próprios legumes. Tomateiros, pimentos, saladas, feijões e até alguns tubérculos são apenas algumas das culturas que se dão bem em vasos e podem ficar bem em pátios, degraus e parapeitos. 
Os legumes que podem ser cultivadas em vaso são: Tomate, diferentes variedades; pimentos; beterraba; rabanete; acelga; aipo; espinafres; rúcula; alface, diferentes variedades; cenoura (variedade redonda é mais indicada); courgette; pepino; alho; beringela; malagueta; ervilha de trepar; couve; brócolos; batatinha; etc. Importante que os recipientes tenham uma boa drenagem. A dimensão dos vasos em alguns casos específicos terá de ser maior.



Frutos
Pode-se conseguir também o cultivo de frutos em vaso, desde alguns citrinos como laranjeira, tangerineira ou limoeiro, ao pessegueiro-anão, morangueiros (óptimos para vasos suspensos e floreiras), framboesas, mirtilo, entre outros.