19 abril 2013

Prémio Jellicoe para Gonçalo Ribeiro Telles

Ribeiro Telles foi distinguido com o mais importante prémio dedicado à Arquitectura Paisagista, atribuído em Auckland na quarta-feira, dia 10 de Abril. O prémio distingue profissionais com "um impacto incomparável" na profissão.




O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles foi esta quarta-feira distinguido com o Nobel da Arquitectura Paisagista, o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, pela federação internacional do sector.

O prémio, segundo a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP), "representa a maior honra que a Federação Internacional dos Arquitectos Paisagistas (IFLA) pode conceder e reconhece um arquitecto paisagista, cuja obra e contribuições ao longo da vida tenham tido um impacto incomparável e duradoiro no bem-estar da sociedade e do ambiente e na promoção da profissão de Arquitectura Paisagista".

Gonçalo Ribeiro Telles estava, “evidentemente”, muito satisfeito como prémio e disse ao PÚBLICO que espera que chame a atenção para muitos dos problemas que o levaram a receber o prémio: "Problemas que têm preenchido a minha vida e que eram entendidos como utopias.” Depois, ri-se, e diz que o prémio é uma “couraça”, uma defesa que lhe vai permitir continuar a dizer o mesmo, agora com reconhecimento internacional.

Da sua vida profissional, o arquitecto paisagista destaca o estabelecimento em 1983 das reservas agrícola e ecológica nacionais, “figuras de planeamento que deviam estar incluídas com mais sapiência no ordenamento do território” e “a defesa de uma agricultura em função do território e da instalação das pessoas”.

Ribeiro Telles diz que temos “uma paisagem policultural de grande valor e expressão”, mediterrânica, que sofreu “anos e anos de uniformização como se não houvesse uma história”. “Houve uma ocupação do território abusiva e uma degradação do solo para benefício da especulação urbana e das culturas extensivas”. Ribeiro Telles denunciou, e continua a denunciar com a mesma energia, “a eucaliptização do país” e quando falamos de floresta ou de política para a floresta, uma palavra que não é nossa, prefere falar de “mata”, de “silvicultura”, “agricultura”, “regadio”, “montado”, “souto”. “Tudo isso é apagado por uma visão economicista”.

"Ribeiro Telles é um clássico"
"É um momento muito importante para Portugal. O grande reconhecimento que é devido a este homem, único, vem de fora, dos seus pares internacionais", diz a arquitecta paisagista Aurora Carapinha ao PÚBLICO, que organizou a homenagem a Ribeiro Telles que teve lugar na Fundação Gulbenkian em 2011. "É um homem único não só pela forma como exerceu a profissão, mas também pela sua dimensão humanista, pela partilha do conhecimento."

Aurora Carapinha explica que Ribeiro Telles "é o grande mentor ideológico de toda uma política de paisagem", que se desenvolveu em Portugal mesmo antes de outros países e que ela recua até aos anos 1960. Essa forma singular de olhar a paisagem procura "uma relação íntima entre a cultura e a natureza". Carapinha sublinha também "a introdução da ecologia, não de uma maneira fundamentalista, mas como um dos primeiros elementos base do trabalho". Conceitos como "biodiversidade", "multifuncionalidade", "equilíbrio", "dinâmica" e "a noção de recurso finito" começaram a ser desenvolvidos muito cedo por Ribeiro Telles na sua prática profissional.

O filósofo e ambientalista Viriato Soromenho Marques lembra-se de ver Gonçalo Ribeiro Telles na televisão em 1967, a falar sobre as cheias em Loures que mataram 500 pessoas. O impacto das palavras do arquitecto paisagista foi grande, porque Ribeiro Telles foi directo: na origem daquelas mortes estava a construção em cima de um leito de cheias. “Era pouco habitual ouvir alguém fazer críticas na televisão naquela altura.” Hoje, sabendo da distinção atribuída pela IFLA, não hesita em dizer que “o que é duradouro não é o moderno, é o clássico - e Ribeiro Telles é um clássico”.

E um clássico de Gonçalo Ribeiro Telles é o seu discurso de defesa do território, seja na sua acção política seja na sua prática arquitectónica. Há, por um lado, o Jardim da Fundação Gulbenkian, “um capital activo” de que tanta gente diariamente usufrui, comenta Soromenho Marques, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mas há também a história, a história política e social que lhe dá hoje razão. Ribeiro Telles “continua a trabalhar com muita intensidade cívica a situação dramática que o país está a viver, sendo que o grande legado e a grande mensagem histórica de Ribeiro Telles para Portugal é de que a soberania de um país depende da sua capacidade de tratar o território com cuidado suficiente para que o possa suportar”.

Soromenho Marques tanto refere obras arquitectónicas de Ribeiro Telles quanto posições políticas do agora premiado quanto, por exemplo, à transformação das florestas em espaços de monocultura para fins industriais, ou na sua defesa do uso da tecnologia para manter as pessoas junto à terra.

No fundo, diz o professor, antes e depois de ter ocupado cargos políticos, Ribeiro Telles “defendeu sempre que o destino de Portugal em busca de um novo enquadramento estratégico na Europa dependia da nossa ligação ao território”. E hoje “estamos presos pelo estômago. Imagine-se a nossa capacidade negocial com a Alemanha se tivéssemos a capacidade de sustentar o país. O problema central [da crise actual] é a insustentabilidade de recursos”, remata Viriato Soromenho Marques.


A entrega do prémio aconteceu esta quarta-feira durante uma sessão do congresso, ao arquitecto paisagista Miguel Braula Reis, presidente da APAP, que o recebeu em representação de Gonçalo Ribeiro Telles, de 90 anos. Braula Reis leu um texto escrito pelo premiado, ao mesmo tempo que foi exibido um vídeo, gravado nos Jardins da Gulbenkian, com uma mensagem de agradecimento de Ribeiro Telles.


Nesse texto de aceitação do prémio, Ribeiro Telles recua à sua memória das viagens anuais de Lisboa a Coruche, todos os natais, como uma experiência que “omnipresente” na sua carreira porque “ficava sempre espantado quando encontrava um mundo diferente daquela avenida axial e movimentada no centro da cidade”, a Avenida da Liberdade, onde estudava e brincava. O “apelo da quase ruralidade”, “o mistério do montado” fazem parte da paisagem a partir da qual aprendeu, escreve.

No mesmo texto, o arquitecto volta aos temas que lhe são próximos: a ligação da tecnologia e urbanismo, a ideia de “paisagem global” que cunhou em 1990, à “modernidade como junção tanto de rural quanto de urbano”. E presta tributo a Francisco Caldeira Cabral, o pioneiro da arquitectura paisagística em Portugal, para falar da missão destes profissionais na humanização da natureza e como, no fundo, “um fabricante de paisagem”.

"O espaço carregado de memórias"
Para o arquitecto paisagista João Gomes da Silva, este é um reconhecimento muito importante por se tratar de um prémio “que distingue a carreira [de Ribeiro Telles] num contexto mundial. Ribeiro Telles é uma figura única, é merecedor deste prémio”, diz ao PÚBLICO o arquitecto, responsável pela requalificação da Ribeira das Naus, em Lisboa, acrescentando que Ribeiro Telles representa o “desenvolvimento que as sociedades europeias escolheram no pós-guerra”. João Gomes da Silva destaca ainda que foi Ribeiro Telles quem “estabeleceu a disciplina da arquitectura paisagista em Portugal”. “Além disso tem uma dimensão política notável”, sublinha o arquitecto.

“Preocupou-se sempre com as questões do ordenamento do território e soube mostrar aos cidadãos como é importante olhar para o espaço onde habitamos”, continua João Gomes da Silva, contando que mantém uma relação especial com Ribeiro Telles, com quem já trabalhou. “Há qualquer coisa dele que passou para mim”, diz, falando de uma capacidade de procurar entender o espaço que habitamos, “o espaço carregado de memórias”. “Ele tem de facto uma sensibilidade em relação à memória”, garante, lembrando a obra da Capela de São Jerónimo, em Belém. “É um projecto seu menos conhecido mas que é notável pelo seu resultado espacial e sentimental. Faz um eixo espacial com a Torre de Belém. É um eixo simbólico entre a capela, que era onde os navegadores rezavam antes de partirem, e a Torre de Belém, às portas do rio.”

João Gomes da Silva não esquece também o projecto dos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, “uma obra ao nível da linguagem emergente daquela altura lá fora”.

São da autoria de Ribeiro Telles, entre outros projectos, o Corredor Verde de Monsanto e a integração da zona ribeirinha oriental e ocidental, na Estrutura Verde Principal de Lisboa. Gonçalo Ribeiro Telles também é autor dos jardins da sede da Fundação Calouste Gulbenkian, que assinou com António Viana Barreto (Prémio Valmor de 1975), e dos projectos do Vale de Alcântara e da Radial de Benfica, do Vale de Chelas, e do Parque Periférico, entre outros.

O Prémio IFLA Sir Geoffrey Jellicoe foi criado em 2004, e o primeiro galardoado, no ano seguinte, foi o arquitecto Peter Walker, dos Estados Unidos, seguindo-se, em 2009, Bernard Lassus, de França. Em 2011 foi distinguida Cornelia Hahn Oberlander, do Canadá, e, em 2012, Mihaly Mocsenyi, da Hungria.

Este galardão, considerado o “Nobel” da arquitectura paisagista, que tem paralelo no Prémio Pritzker de arquitectura, comemora a contribuição extraordinária para a IFLA do arquitecto paisagista britânico Sir Geoffrey Jellicoe (1900-1996), fundador daquela federação internacional.

O júri do prémio inclui arquitectos paisagistas das quatro regiões da IFLA, “que representam o âmbito académico, a prática pública e privada, e possuem um profundo conhecimento da profissão, dos seus profissionais-chave e da prática internacional”.

Nascido em Lisboa a 25 de Maio de 1922, Gonçalo Pereira Ribeiro Telles licenciou-se em Engenharia Agrónoma e formou-se em Arquitectura Paisagista, no Instituto Superior de Agronomia, na capital portuguesa, onde iniciou a vida profissional como assistente e discípulo de Francisco Caldeira Cabral, pioneiro da disciplina em Portugal, no século XX.

28 março 2013

Moss Graffiti | Graffiti com Musgo


Alguém já viu ou tentou fazer este tipo de intervenção ecológica? Os Graffitis com musgo são brilhantes e excepcionais, além disso, são super fáceis de fazer, tendo sempre as vantagens de serem efémeros e de não danificam de forma alguma a fachada ou superfície onde são aplicados. Deixo-vos mais algumas imagens assim como um passo-a-passo!



26 março 2013

DIY | Moss Graffiti


Materiais
  • 3 mãos cheias de musgo
  • 700ml água morna
  • Liquidificadora
  • 2 coelheres (chá) gel de retenção de àgua
  • 120ml soro de leite coalhado
  • Recipiente, pincel e vaporizador

Instruções
1) Na liquidificadora juntar o musgo desfeito e verter a água;
2) Juntar o gel de retenção de água;

3) Juntar o soro de leite coalhado;
4) Triturar até formar um gel, durante 2 a 5 minutos aproximadamente;

5) Colocar num recipiente;
6) Pintar com o pincel numa superfície em cimento, betão ou madeira;

7) Pulverizar todas as semanas;
8) Aprecia a tua arte a crescer!

24 março 2013

Ecoduct - Passagem para a vida selvagem

Ecoduct, Wildlife Bridge, Ponte Natural, Ponte Verde, Viaduto de vida selvagem, enfim, são vários os nomes que podemos dar a estas estruturas que servem como passagem, para a vida selvagem, sobre as infra-estruturas viárias que truncam o território. Essas passagens são implantadas em algumas regiões de forma a que o habitat selvagem não seja drasticamente interrompido pela construção de auto-estradas ou linhas férreas, permitindo a passagem segura de animais entre ambos os lados. Estas podem ser superiores ou inferiores às vias e geralmente tentam reproduzir o mais perto possível a aparência e aspecto do habitat envolvente, de forma a dar-lhe continuidade. Pessoalmente considero este tipo de projectos uma ideia excelente, dessa forma serão certamente reduzidos os índices de mortalidade animal, assim como será mais fácil manter a continuidade das espécies. Ficam aqui alguns exemplos:

Ecoduct De Woeste Hoeve | Holanda

Na Holanda existem mais de 600 passagens (incluindo as subterrâneas) que são utilizadas para proteção da população de javalis, veados, corços e texugos.


Grevesmühlen | Alemanha

Borkeld | Holanda

Banff National Park | Alberta, Canada

No Parque Nacional de Banff, em Alberta no Canadá existem actualmente 41 estruturas de passagem, sendo que 6 delas são subterrâneas, auxiliam na travessia dos animais selvagens a Trans-Canada Highway. Desde 1996, quando o monitoramento destas passagens começou, 11 espécies de grandes mamíferos, incluindo ursos, alces e pumas tem utilizado a passagem mais de 200.000 vezes.

Lago Keechelus | Washington, USA

10 fevereiro 2013

Horta em vasos!


Já comecei a preparar as sementes para a próxima sementeira na "horta"! Apesar de viver num apartamento, não é de todo impossível recriar ou tentar ter uma pequena horta, contudo o tipo de plantas a utilizar terá de ser mais limitado. Os vasos ou recipientes têm de ter um tamanho razoável e não ser demasiado pequenos, desde que tenham uma altura mínima de 35 a 40 centímetros já é possível (no caso de plantas aromáticas podem ser mais pequenos) É preciso ter em conta que o espaço disponível depende a diversidade de hortícolas a cultivar. É também importante que sejam feitos furos de drenagem da água no fundo do vaso (caso este ainda não os tenha) para que as raízes das plantas não apodreçam. Podem no entanto colocar um prato no fundo dos vasos para que essa água não seja inteiramente desperdiçada. Se por ventura utilizarem vasos em barro lembrem-se que nestes o substrato seca mais depressa e portanto exigem uma rega mais frequente. 

Aqui ficam algumas das Plantas que podem utilizar para uma Horta em Vasos

Plantas Aromáticas
Cultivar ervas ou plantas aromáticas em vasos permite escolher a terra e a situação mais adequadas a cada uma das espécies. Os vasos colocados junto à porta da cozinha ou no parapeito da janela estão sempre à mão e resolvem a falta de espaço. O tamanho do vaso deve adequar-se à planta. Uma planta mais alta precisa de um vaso largo para não cair com o vento. Certas espécies como o loureiro gostam de ter as raízes congestionadas portanto não os cultivem em vasos muito largos.
Plantas invasivas, como a hortelã, também se dão bem em vaso e são mais fáceis de controlar. Podem cultivar as seguintes plantas: coentros; salsa; tomilho; manjericão; manjerona; chá-de-príncipe; poejo; oregãos; cebolinho; salva; alfazema; alecrim; rudbéquia; erva-cidreira; estragão; segurelha; hortelã-pimenta; murta; lucia-lima; etc.


Legumes
Encher vasos, tinas e floreiras com diversos legumes é uma das melhores soluções para quem, tal como eu, tem pouco ou nenhum jardim para cultivar os seus próprios legumes. Tomateiros, pimentos, saladas, feijões e até alguns tubérculos são apenas algumas das culturas que se dão bem em vasos e podem ficar bem em pátios, degraus e parapeitos. 
Os legumes que podem ser cultivadas em vaso são: Tomate, diferentes variedades; pimentos; beterraba; rabanete; acelga; aipo; espinafres; rúcula; alface, diferentes variedades; cenoura (variedade redonda é mais indicada); courgette; pepino; alho; beringela; malagueta; ervilha de trepar; couve; brócolos; batatinha; etc. Importante que os recipientes tenham uma boa drenagem. A dimensão dos vasos em alguns casos específicos terá de ser maior.



Frutos
Pode-se conseguir também o cultivo de frutos em vaso, desde alguns citrinos como laranjeira, tangerineira ou limoeiro, ao pessegueiro-anão, morangueiros (óptimos para vasos suspensos e floreiras), framboesas, mirtilo, entre outros.


04 fevereiro 2013

DIY | "Quadro Vivo" com Suculentas


Acho estes "quadros vivos" excelentes! As suculentas têm um leque de cores bastante variado e isso permite múltiplas combinações, para além disso são muito resistentes e muito fáceis de propagar, o que facilita imenso a criação de um quadro destes. Basta aproveitar alguns materiais que tenham por casa, tais como madeiras velhas ou molduras que já não utilizem. Vamos então ver como isto se faz!


1º Passo: Recolher as plantas
É muito fácil recolher as mudas de plantas suculentas para usar neste projecto. Para isso basta usar uma pequena tesoura de poda e cortar algumas rosetas ou pequenas secções de tronco (com cerca de 1 ou 2 cm de comprimento) da planta-mãe. Deixamos as mudas numa bandeja a secar um pouco (1 a 2 dias) antes de as plantar. Este processo de cura faz com que as extremidades cortadas fiquem calejadas (formam uma fina camada de células)


2º Passo: Juntar os materiais
Os materiais que são precisos para este projecto são: 
- uma moldura sem fundo e sem vidro; 
- uma "caixa" em madeira feita à medida da moldura; 
- um fundo em contraplacado para a caixa de madeira; 
- rede cortada à medida do interior da moldura; 
- pistola de agrafos; 
- martelo e pregos; 
- substrato universal;
- mudas das plantas suculentas

3º Passo: Adicionar a caixa de madeira
A caixa de madeira vai servir para acrescentar profundidade ao quadro para podermos colocar o substrato e as plantas. É importante utilizar uma madeira resistente à agua (como cedro por exemplo). Esta caixa tem que ter as medidas da parte traseira da moldura e pode ser pregada ou aparafusada à mesma. Este processo pode ser simplificado e em vez de fazer uma "caixa" em madeira, prega directamente as 4 tiras de madeira na moldura sem deixar folgas entre elas

4º Passo: Colocar a rede
Com a moldura ainda de bruços, inserimos a rede no seu interior. Esta pode ser de plástico ou metálica. O tamanho da quadricula deverá ser aproximadamente de 1,5 cm. Desta forma os buracos serão pequenos o suficiente para manter o substrato na moldura e impedi-lo de cair, mas grandes o suficiente para conseguirmos inserir e acomodar as mudas das plantas. Utilizamos uma pistola de agrafos para prender a rede na moldura, esta assenta na mesma margem da moldura onde antes assentava o vidro.

5º Passo: Colocar o fundo
Este passo é bastante simples. Basta colocar o fundo em contraplacado na parte de trás do quadro, apoiado na caixa de madeira. Para isso deve ser pregado de forma a ficar mais resistente e bem fixo.

Se desejarem podem pintar a parte frontal da moldura ou então mantêm na sua cor original. Se pintarem devem usar tintas resistentes à água

6º Passo: Adicionar o substrato
Nesta fase é despejar o substrato no interior do quadro, usando as mãos para o empurrar através dos orifícios da rede. Devem agitar a moldura periodicamente de forma a dispersar uniformemente o solo. Devem adicionar até ao limite da rede e deve ficar bem compactado, pois se fica demasiado solto poderá cair com facilidade.

7º Passo: Fazer os furos
Numa superfície plana disponham as estacas das plantas suculentas de forma a criar o desenho que pretendam, aqui vale a originalidade, podem formar padrões com as cores, degradês, geometrias. Depois começam a fazer os vários buracos no substrato, com um pau ou lápis, através dos orifícios da rede

8º Passo: Preencher
Agora basta preencher os buracos feitos anteriormente com as mudas das plantas suculentas. Tentando reproduzir o desenho que já tinham  testado anteriormente ou então apenas de forma aleatória. As folhas carnudas das plantas devem ficar assentes sobre a rede. Não precisam de colocar as estacas em nenhum tipo de hormonas de enraizamento, uma vez que as suculentas enraízam com bastante facilidade

9º Passo: Criar o design
Após terminarem de colocar as plantas todas nos respectivos lugares é normal que ainda esteja rede e substrato visível. É importante que assim seja, pois as plantas irão crescer e dessa forma tapar os espaços vazios que ficaram no quadro. Nesta fase devem manter o quadro na posição horizontal e sem sol directo por cerca de duas semanas no mínimo para permitir às plantas começar a criar raízes. Não reguem estas duas semanas.

10º Passo: Exibam o vosso quadro vivo!
Coloquem o vosso quadro numa mesa ou prateleira para que possa encostar na parede ou então pendurar o quadro directamente na parede com ganchos resistentes. Devem ser regados 1 vez por mês: colocam o quadro numa superfície horizontal e humedecem completamente o solo. certifiquem-se que a moldura está bem seca antes de voltar a pendurar. Em zonas muito quentes devem proteger do sol do meio dia, caso seja colocado no interior, deve ficar numa parede perto de uma janela e virada a Sul.

Passo-a-passo adaptado de Better Homes and Gardens

01 fevereiro 2013

DIY | Vasos em cimento

Pessoalmente gosto muito deste tipo de vasos, são óptimos para colocar suculentas e a beleza destas contrasta muito bem com o ar mais rústico e natural do cimento. O melhor é que podemos nós mesmos, sem grande dificuldade (e de forma económica), fazer estes vasos. Vamos ver como?

"Receita" para os vasos:
  • Cimento
  • Vermiculite (também se pode usar areia, mas torna o vaso mais pesado)
  • Água q.b.

Materiais necessários:
  • Luvas (usar durante todo o processo)
  • Recipientes de plástico (baldes, embalagens de gelado, floreiras, etc) para usar como "formas". Devem arranjar conjuntos de dois, um grande e um mais pequeno para colocar dentro do primeiro.
  • Óleo de cozinha e pincel (para untar as formas, poderão aproveitar óleo de fritura velho)
  • Lixa fina (acabamento final)

Instruções:
  1. Começar por misturar bem num recipiente grande (balde) o cimento e a vermiculite na razão 1 para 4, ou seja, 1 parte de cimento para 4 partes iguais de vermiculite. Não se esqueçam das luvas enquanto misturam os ingredientes.
  2. Lentamente ir adicionando a água, como se estivessem a fazer uma massa para bolo, cuidado para não colocar em demasia. Ir mexendo sempre muito bem com uma pá, por exemplo, ou outro utensílio. A mistura deve adquirir uma textura semelhante à da manteiga de amendoim, deve ficar moldável  Poderá parecer demasiado espesso ou seco, mas não é!
  3. Colocar a mistura dum dos recipientes de maior dimensão (previamente untado com o óleo)
  4. Bater levemente com a base do recipiente para garantir que a massa assenta bem e fica com a superfície lisa
  5. Empurrar o recipiente menor para dentro do maior (atenção, aqui o recipiente menos é untado no exterior). Retira a mistura de cimento em excesso que é deslocada e coloca-a de volta no balde onde está o resto da mistura.
  6. Certifica-te que a superfície está bem lisa e agora é deixar repousar para secar, pelo menos durante 24h a 48h
  7. Após secar basta remover as embalagens de plástico. Apesar de estarem untadas é possível que seja difícil retira-las sem as danificar (daí usar-mos sempre recipientes velhos que se possam estragar). Podem usar um alicate e x-acto para retirar as formas.
  8. Agora é só finalizar lixando ligeiramente as superfícies para as suavizar
  9. Se tiverem necessidade de fazer um furo de drenagem basta usar um berbequim (devem esperar pelo menos 2 dias para secar bem antes de o fazer)
  10. Está pronto! Agora é só plantar as suculentas!




Dica: Se quiserem personalizar ainda mais os vossos vasos em cimento podem pinta-los!
Para isso devem fazê-lo depois de suavizar a superfície com a lixa e antes de colocar as plantas claro.

deverão usar tintas em spray, pois para alem de ser mais fácil pintar os vasos com este tipo de tinta, também é mais resistente ao uso e ao gasto causado pela água e humidade. 

15 janeiro 2013

Calendário de Plantação: Horta

Aqui fica um calendário de plantação dos vários trabalhos que podem ser feitos ao longo do ano. Podem ver outro Plano Sazonal aqui. Este é para a Horta, assim saberão sempre quando deverão ser feitas as sementeiras, plantações ou colheitas. Claro está que este calendário é generalizado, pode e deve ser adaptado consoante a experiência de cada um, assim como a zona do país onde se localizam, em alguns casos específicos.







Janeiro
SEMEAR fava, alface, beterraba, couve repolho, rabanete COLHER couves, espinafres SEMEAR canteiros de cenoura, alho, cebola, alface, ervilha, alho-porro, salsa

Fevereiro
SEMEAR alho-francês, beterraba, cebola, cenoura, coentros, espargos, ervilha, espinafre, fava, feijão, melancia, nabiça, pimento, rabanete, repolho, salsa, segurelha, tomate PLANTAR batata, para colher em Junho

Março
PREPARAR estacas para feijão e ervilhas SEMEAR abóbora, alface, beterraba, couves, nabiça, ervilha, espinafre, feijão, melancia, melão, pepino COLHER cebola, cebolinho, rabanetes, azedas

Abril
SEMEAR abóbora, batata, beterraba, brócolos, cenoura, pimento, salsa LIMPAR rebentos nos excertos das árvores de fruto; na vinha, fazer tratamento contra pragas, como míldio, adubar as castas já envelhecidas

Maio
SEMEAR/PLANTAR abóbora, agrião, alface, beterraba, brócolos, cenoura, couves, pimento COLHER alcachofra, espargos, ervilha, fava, cebola verde PLANTAR tomate, tratar o que ja está plantado REGAR/TRATAR batatais

Junho
COLHER batata de Fevereiro CUIDAR batatais e mnorangal CONTINUAR A SEMEAR feijão para consumo em verde PLANTAR batata, pimento, tomate COLHER cebola, alho, alface, aipo de Janeiro APANHAR cereja e nêspera

Julho
SEMEAR agrião, alface, cenoura, feijão de trapar, feijão verde, nabo, rabanete, salsa COLHER alface, alho, beterraba, espinafre d everão, feijão, tomate REGAR ao amanhecer ou entardecer

Agosto
SEMEAR agrião, espinafre, feijão, nabo CAVAR/SACHAR hortaliças REGAR bem antes das sementeiras e transplantes RECOLHER fruta e secá-la DESPARRAR (tirar as parras) para que as uvas amadureçam

Setembro
PODAR iniciar processo e limpeza das árvores, nos pomares, pós ultima apanha ENXERTAR cerejeiras, macieiras SEMEAR cenoura, chicória, feijão, nabo, cebola, tomate PLANTAR (com a sprimeiras chuvas) morangueiros

Outubro
PLANTAR oliveiras, árvores de fruto PODAR árvores resistentes ao frio SEMEAR agrião, cenoura, rabanete COLHER feijões PLANTAR  morangueiros COLHER castanha, noz, avelã, abóbora, melão de inverno

Novembro
PLANTAR cerejeiras, pessegueiros, macieiras SEMEAR agrião, alface, cenoura PLANTAR batata, alho, couve, tremoço SEMEAR fava, ervilha  COLHER azeitona, beterraba VERIFICAR, na adega, vasilhas de vinho novo

Dezembro
RESGUARDAR plantas do gelo ou geadas FAZER COVAS E ESTRUMAR. SEMENTEIRA de trigo e centeio (se não houver geada), cebola, beterraba, nabiça, pimento, tomate, salsa PLANTAR macieiras, pereiras

09 janeiro 2013

Mata Ribeirinha ou Galeria Ripícola

Galeria Ripícola (Def.): Formação linear de espécies lenhosas arbóreas e arbustivas associadas às margens de um curso de água, constituindo um corredor de copas mais ou menos fechado sobre o curso de água.
Fotografia: Miguel Barbosa

Já todos reparámos que a abundância de água permite o desenvolvimento de grandes árvores nas margens dos cursos de água. Por vezes estas formam uma verdadeira cortina ao longo das mesmas e são referidas como Mata Ribeirinha ou Galeria Ripícola.

Maioritariamente constituídas por vegetação arbórea e arbustiva, estas, para além de serem plantas bastante evapotranspirantes, têm também um papel fundamental na estabilização das margens dos cursos de agua, uma vez que as seguram através de acção mecânica das raízes e assim evitam e/ou diminuem os efeitos causados pela erosão da agua nas margens dos rios.

Em Portugal é possível distinguir:

  • LECOQ, N., 2012. Vegetação no Espaço Urbano. ISA
  • CALDEIRA CABRAL, F.; RIBEIRO TELLES, G., 2005. A Árvore em Portugal. Assírio & Alvim, Lisboa

07 janeiro 2013

Arrábida | Da Serra Ao Mar



Arrábida - da Serra ao Mar, dos fotógrafos portugueses Luís Quinta e Ricardo Guerreiro, é um filme de história natural sobre a vida selvagem e outras riquezas naturais desta região de Portugal. Os intervenientes são os animais selvagens, as plantas e os fenómenos geológicos, que se reúnem nesta zona e criam um rico recanto onde a natureza prospera. É uma história sobre o que há de belo e, por vezes, único na Arrábida. O foco são as histórias de vida destes protagonistas na esperança que o público conheça, ame e, no limite, se interesse pela sua conservação.


05 janeiro 2013

Campanha para conservar o Priolo e a Floresta Laurissilva






SPEA lança campanha internacional de crowdfunding para conservar o Priolo e a Floresta Laurissilva de São Miguel

A SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves lançou uma campanha internacional de financiamento colectivo (crowdfunding) para permitir a continuidade do seu projecto de conservação do Priolo (Pyrrhula murina), uma das mais ameaçadas aves do mundo, e da floresta Laurissilva da ilha de São Miguel onde ainda ocorre.

O Priolo é um passeriforme endémico da ilha de São Miguel, sendo a sua distribuição mundial limitada apenas a dois concelhos desta ilha Açoriana: Nordeste e Povoação. Em 1990 existiam somente cerca de 300 indivíduos desta espécie, encontrando-se à beira da extinção. Para evitar o seu desaparecimento, desde 2003 até hoje a SPEA liderou um programa de recuperação do Priolo financiado sobretudo pela Comissão Europeia (programa LIFE) e pelo Governo Regional dos Açores, o qual permitiu que a população do Priolo atinja hoje os 1000 indivíduos, reduzindo o seu risco de extinção, apesar da ameaça ainda persistir.


O Priolo depende da floresta Laurissilva nativa da região, a qual tem vindo a ser invadida por espécies de plantas exóticas que substituem as espécies autóctones e que não lhe proporcionam nem alimento nem abrigo adequados, conduzindo à sua quase extinção. O programa de recuperação liderado pela SPEA tem-se centrado na recuperação da floresta Laurissilva, retirando as plantas invasoras e plantando plantas de espécies autóctones, contribuindo para a recuperação de todo um ecossistema. Estas ações implicaram a criação e manutenção de um viveiro de árvores e arbustos nativas de São Miguel, que são empregues na reflorestação da área, e na criação do Centro Ambiental do Priolo, com funções científicas, didáticas e turísticas, atuando como foco de atração de milhares de visitantes e permitindo a criação e manutenção de mais de 20 postos de trabalho diretos, com importantes implicações positivas para a economia local. 

Devido aos bons resultados conseguidos, o projeto LIFE Priolo tornou-se uma referência internacional de conservação da Natureza, tendo sido eleito pela Comissão Europeia “um dos melhores entre os melhores do programa comunitário LIFE+”. 

O lançamento desta campanha da SPEA ocorre num momento em que não existe financiamento garantido para a continuação deste programa e para a manutenção destas ações e equipamentos. Se este financiamento não for conseguido, as medidas de recuperação e manutenção da floresta Laurissilva deixarão de poder ser implementadas, com o previsível declínio e eventual extinção do Priolo, para além das perdas económicas e laborais associadas.




Leituras Adicionais
Priolo é exemplo internacional na fuga à extinção
“LIFE Priolo” foi eleito um dos 5 melhores projectos de conservação financiados pela UE em 2009
Erradicação de espécies invasoras na zona da Laurissilva
Naturfunding: Lançada iniciativa internacional de crowdfunding ambiental com a participação do portal Naturlink

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