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08 agosto 2012

Vegetação Dunar





As condições de formação e a dinâmica geomorfológica das dunas revelam que estas são estruturas instáveis. A proximidade do mar actua como factor fortemente selectivo na instalação e crescimento da sua vegetação.
Aparentemente simples, este meio é, na realidade, deveras complexo e precário. 

      

Não é por acaso que, no lado virado ao mar, se observa tão grande pobreza florística: as plantas costeiras estão sujeitas a ventos fortes carregados de partículas de sal, a luminosidades excessivas, a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante do verão ao frio cortante do inverno. Isto provoca apreciável transpiração na planta, o que, conjugado com a grande permeabilidade do solo dunar, que deixa infiltrar rapidamente a água que nele cai, irremediavelmente a condena a um ambiente hostil de xerofitismo, ou seja, a um ambiente em que prevalecem as condições de secura. 
A esta é preciso resistir, para sobreviver. E, na verdade, as plantas psamófitas, que vivem nas areias, sobrevivem porque desenvolveram adaptações mais ou menos profundas que impedem sobretudo as perdas excessivas de água. Todavia, não é só contra a dessecação que a planta luta; ela tem também que fazer frente ao soterramento, quando os ventos fortes ou constantes, vindos do mar, empurram as areias da praia para o interior. 

A primeira duna que se nos depara, chamada anteduna ou duna avançada, relativamente baixa e bastante instável, mostra, na parte virada ao mar e quase ao limite superior das marés, uma associação de Cakile maritima e Salsola kali. Já mais para o topo, Elymus farctus e, por vezes, Euphorbia paralias Euphorbia peplis. 


      

A vegetação nesta estreita faixa está muito espaçada e o vento movimenta facilmente as areias, que arrasta para o interior; não obstante a curta distância transposta, o novo local onde elas se depositam é mais acolhedor, sofre menos severamente os efeitos do vento e a aragem chega lá menos salgada. 
Criam-se condições, se não favoráveis, pelo menos mais favoráveis para a fixação de outras plantas; por sua vez, estas vão, por modos diversos, reter mais areias.
Juntamente com Elymus farctus surge agora a outra grande edificadora de dunas e pioneira na sua colonização: Ammophila arenaria, vulgarmente chamada estorno. Acompanham-na ainda Euphorbia paralias e já podem aqui ver-se os cordeirinhos da praia, Otanthus maritimusAssim cresce a duna, com composição florística mais rica e variada. 
Atingido o topo podem encontrar-se Calystegia soldanella, cujas sementes, bastante pesadas, se enterram facilmente, desta forma compensando factores adversos à sobrevivência da espécie, Lotus creticusEryngium maritimumCrucianella maritima,  Pancratium maritimum, a par com Ammophila arenaria que, aliás, cresce um pouco por todo o lado, em povoamentos mais ou menos densos, conforme a área em que se estabeleceu.


Na face interior desta duna e no interdunar que se lhe segue, em terreno já definitivamente fixado, ao lado de algumas das espécies já citadas outras se vêm juntar à lista de psamófitas: Helichrysum italicum, Pseudorlaya pumila, Thymus carnosu, Armeria pungens, Artemisia campestris subsp. maritima, Anthemis maritima, Corynephorus canescens, Linaria lamarckii, Linaria pedunculata, Reichardia gaditana, isto para mencionar apenas as mais abundantes ou conspícuas. 
Não será demais salientar que Thymus carnosus é um endemismo português, quer dizer, esta planta existe exclusivamente em Portugal e somente no Alentejo e Algarve. É aquele pequeno tufo verde escuro, de porte amoitado, que, mais do que qualquer outra planta das dunas, quando esmagado deixa à sua volta um intenso e agradável perfume um tanto semelhante ao da lavanda.



As areias fixadas do interdunar oferecem boas condições para o crescimento de prostradas, de sistema radicular bastante curto, folhas em regra pequenas, que se espalham em amplas manchas arredondadas. São exemplos Paronychia argentea, Ononis variegata, Medicago littoralis, Polygonum maritimum ou Hypecoum procumbens, outra espécie que ocorre apenas no Algarve.

No limite para o sub-bosque salientam-se Anagallis monelli, bonita prostrada de flores intensamente azuis, Linaria spartea, Scrophularia frutescens, Cleome violacea, Corrigiola littoralis, Aetheorhiza bulbosa e Pycnocomon rutifolium, esta também confinada ao Algarve e alguns poucos mais locais da Europa mediterrânica.


Fonte: Instituto da Conservação da Natureza

04 agosto 2010

Parque de Monserrate - Sintra



O Parque de Monserrate, outrora quinta de pomares e culturas, existe como tal desde o séc. XVIII, quando Gerard DeVisme alugou a quinta à família Melo e Castro, sua proprietária. Desde então, todos os que se seguiram - William Beckford, a família Cook, o Estado Português e, finalmente, desde Setembro de 2000, a Parques de Sintra-Monte da Lua, S. A. - esforçaram-se por criar um maravilhoso jardim botânico, ímpar nas suas características.




Crucial no seu desenvolvimento esteve o que se viria a tornar o 1º Visconde de Monserrate, Francis Cook. Juntamente com o pintor paisagista William Stockdale, o botânico William Nevill e o mestre jardineiro James Burt, criaram-se cenários contrastantes que se sucedem ao longo de caminhos sinuosos por entre ruínas, recantos, cascatas e lagos, sugerindo, através de uma aparente desordem, o domínio da Natureza sobre o Homem. Assim, e contando sempre com a presença de espécies espontâneas de Portugal (medronheiros, azevinhos, sobreiros, entre outros), organiza o jardim com colecções de plantas de espécies oriundas dos cinco continentes, propondo-nos um passeio pelo mundo: fetos e metrosíderos evocam a Austrália; agaves, palmeiras e yucas recriam um cenário do México; rododendros, azáleas, bambus para o jardim do Japão. No total contabilizaram-se mais de duas mil e quinhentas espécies!

Mais informações sobre o parque (assim como preços, horários, etc.) Aqui!


























30 julho 2010

A sombra verde: A botânica feita arte

A sombra verde: A botânica feita arte: "O Real Jardín Botánico de Madrid disponibiliza, na sua página, mais de 7 000 ilustrações elaboradas durante a Real Expedición Botánica del Nuevo Reino de Granada (1783-1816) liderada por José Celestino Mutis (Cádis, 1772 - Bogotá, 1808) ."

16 julho 2010

Como fazer um Herbário?

Bem um herbário é algo muito útil e divertido de se fazer, para além de ser bastante simples. É uma óptima actividade para se fazer com crianças, ensinar-lhes um pouco mais sobre plantas e ao mesmo tempo tentar sensibiliza-las sobre os problemas do meio ambiente e mostrar a importância da Flora no nosso planeta.
Vejam em baixo um passo-a-passo de como fazer o vosso próprio herbário!



Como fazer um Herbário... 

09 junho 2010

Vertical Garden II

Olá a todos! Bem no primeiro post que fiz sobre Jardins Verticais falei-vos mais concretamente do modelo criado por Patrick Blanc, no entanto, jardim vertical não é só e apenas a criação daquela estrutura combinada com a utilização de plantas epífitas. Um jardim vertical pode ser algo bastante mais simples tal como 3  árvores empilhadas numa estrutura vertical ou até mesmo uma simples parede de uma casa abandonada coberta e invadida por heras ou até mesmo infestantes. por isso mesmo hoje decidi trazer-vos outros exemplos de Jardins Verticais. Espero que gostem =)

1. Puppy de Jeff Koons - Bilbao
Puppy, é um modelo tridimensional mais divertido de um tradicional parterre floral, apresentando uma cobertura sazonal de variadas herbáceas anuais e perenes. Mais sobre o artista Aqui.


2. Wild Tower de Edouard François e Patrick Blanc - Paris
 

Inicialmente uma estrutura em cimento que tinha como função a ventilação de um parque de estacionamento subterrâneo, foi transformada numa enorme chaminé verde. Aqui Edouard François e Blanc utilizaram varias espécies vegetais de trepadeiras, entre as quais, a mais predominante que julgo que quase todos vocês conhecem, a Ipomoea. Para mais informações sobre este projecto cliquem Aqui.



3. Dilston Grove de Heather Ackroyd e Dan Harvey - Londres
                  

E que tal relva? sim, relva a cobrir todas as paredes e tectos. Foi o que fizeram Heather Ackroyd e Dan Harvey, um pouco por todo o mundo, desde Londres, Riga e Houston. São apenas instalações temporárias e já o fazem desde 1990. Podem ver mais sobre este projecto Aqui e sobre os artistas e outros projectos deles Aqui.


4. Ex Ducati de Mario Cucinella - Rimini

 
A fachada do edifício Ex Ducati é coberta por plantas trepadeiras, sob autoria da empresa Mario Cucinella Architects. Entre as plantas escolhidas temos o Jasmim, wisteria e arbustos de roseiras. Segundo os aquitectos, a escolha dos materiais e criação da estrutura "expressa um desejo de criar um canto verde na cidade". Podem ver mais sobre o projecto Aqui.


5. Flower Tower de Edouard François - Paris
  

Grandes vasos com bambus estão incorporados na estrutura do edifício Flower Tower. Construído em 2004. Pessoalmente não o acho muito bonito no entanto gosto da ideia e do tipo de intervenção. Podem ver mais Aqui.


6. ACROS Building de Amilio Ambasz - Fukuoka
 

Os 100 mil metros quadrados no último andar do edifício ACROS são definitivamente únicos. O edifício de 18 andares tem 15 terraços que podem ser escalados até ao topo. Os terraços são destinados a promover um ambiente sereno e tranquilo no meio da cidade, com grande variedade de plantas verdes e até algumas cascatas e lagos de pequena dimensão para intensificar o efeito relaxante do extraordinário exterior do edifício. Mais detalhes sobre o projecto Aqui.


7. Z58  de Kengo Kuma - Shanghai


Localizado no Fanyu Road, uma rua calma, com vista para uma vila construída para a família Yatsen Sol em 1930 no lado oriental da cidade dinâmica de Xangai, o projectot ransforma e converte uma antiga fábrica de relógios em três níveis. Kuma mantém a estrutura original de cimento e cria três novas principais estruturas de divisão. O muro vegetal é uma sequência linear de caixas de aço com revestimento em espelho contendo pequenas plantas tais como a hera (hedera helix). Mais Aqui.

É claro que estes jardins verticais conseguem ser todos diferentes, no entanto todos iguais devido à única coisa em comum: a verticalidade. No entanto não é preciso um arquitecto, um arquitecto paisagista ou um botânico para projectar um jardim vertical. A própria Natureza encarrega-se disso, conseguido criar obras maravilhosas.

19 setembro 2009

Nomenclatura

Agora um tema mais prático que diz respeito à nomenclatura no reino Plantae

Regras relativas à descrição e à denominação dos táxones vegetais:
  • Todos os nomes científicos das plantas usam-se em latim sendo utilizados dois termos – Sistema binomial.
  • Para determinar os géneros (e os táxones superiores) empregam-se substantivos (os dos géneros iniciam-se com letra maiúscula).
  • Para designar as espécies (e os táxones infraespecíficos) costumam utilizar-se adjectivos (escritos com letras minúsculas). 
  • Os nomes dos híbridos vão precedidos do sinal x (Quercus x coutinhol).

Exemplo: Macieira

08 setembro 2009

Lúcia-lima

Olá, hoje venho falar de uma planta que hoje em dia já existe em muitos dos nossos jardins, a Lúcia-lima (Lippia Citriodora).
Também conhecida por Bela-luísa ou Doce-lima, este arbusto com origens remotas no Chile, é cultivado na Europa desde do fim do século XVIII, o fantástico aroma desta planta que nos faz lembrar o aroma lima-limão provem de um complexo de óleos essenciais, sendo os principais o citral, nerol e o geraniol, determinando as propriedades da planta.

A Lúcia-lima embora arbusto pode alcançar 3 a 7 metros de altura, as suas folhas compridas e pontiagudas, de toque áspero, são de um verde vivo e as suas flores são pequenas e brancas.




Possuindo propriedades calmantes, estimulante, antiemética, prolongadora do sono, depressora do sistema nervoso central, descongestionante, digestiva, estomáquica, sedativa e tônica a Lúcia-lima é utilizada como calmante ligeiro e em perturbações digestivas.
Deve-se evitar a sua utilização prolongada, devido ao risco de perturbações gástricas, e por a planta ser depressora do sistema nervoso central.
Na Lúcia-lima podem ser utilizadas as folhas frescas ou secas, sob a forma de chás e infusões.

Agora um pequeno aparte com uma maravilha da Natureza =)


Simples, pequena e Maravilhosa...

01 setembro 2009

Ginkgo Biloba

Olá! Bem hoje venho-vos falar de uma planta que cada vez mais está a ganhar lugar nos nossos jardins e parques públicos, o Ginkgo (Ginkgo Biloba).



O Ginkgo também chamada árvore dos templos, pertence à família das Ginkgoáceas, e constitui um fóssil vivo, já existindo há 300 milhões de anos. Foi uma planta autóctone da Europa central até à 30 milhões de anos, altura que retrocedeu até ao sudeste Asiático. Mede entre 30 a 40m de altura e o perímetro do seu tronco chega a alcançar os 4metros.
As folhas características assemelham-se a um leque feito de ramos, são de uma intensa cor verde, adquirindo uma tonalidade amarelo dourada no Outono. As flores só aparecem decorridos 20 a 30 anos, no mês de Maio.
Os Ginkgos têm uma grande longevidade, podendo viver até 1000 anos, desenvolvendo uma poderosa copa.

Partes utilizadas e princípios activos:
Tanto as folhas dissecadas como os preparados que delas se obtêm, têm aplicação médica, principalmente os extractos secos muito concentrados. Entre os seus princípios activos mais importantes do ponto de vista farmacológico, destacam-se os glicósidos flavónicos e as lactonas terpénicas.
O Ginkgo está indicado em terapias de doenças venosas, é um bom vaso-dilatador, estimulando a irrigação sanguínea, sendo óptimo para quem sofre de mãos e pés frios no inverno, o ginkgo também está indicado em casos de demência, falta de irrigação cerebral, problemas de concentração, e vertigens.
Normalmente apresentam-se à venda extractos sob a forma de comprimidos, gotas ou preparados para chá.