19 outubro 2012
08 agosto 2012
Vegetação Dunar
Não é por acaso que, no lado virado ao mar, se observa tão grande pobreza florística: as plantas costeiras estão sujeitas a ventos fortes carregados de partículas de sal, a luminosidades excessivas, a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante do verão ao frio cortante do inverno. Isto provoca apreciável transpiração na planta, o que, conjugado com a grande permeabilidade do solo dunar, que deixa infiltrar rapidamente a água que nele cai, irremediavelmente a condena a um ambiente hostil de xerofitismo, ou seja, a um ambiente em que prevalecem as condições de secura.
A primeira duna que se nos depara, chamada anteduna ou duna avançada, relativamente baixa e bastante instável, mostra, na parte virada ao mar e quase ao limite superior das marés, uma associação de Cakile maritima e Salsola kali. Já mais para o topo, Elymus farctus e, por vezes, Euphorbia paralias e Euphorbia peplis.
A vegetação nesta estreita faixa está muito espaçada e o vento movimenta facilmente as areias, que arrasta para o interior; não obstante a curta distância transposta, o novo local onde elas se depositam é mais acolhedor, sofre menos severamente os efeitos do vento e a aragem chega lá menos salgada.
Criam-se condições, se não favoráveis, pelo menos mais favoráveis para a fixação de outras plantas; por sua vez, estas vão, por modos diversos, reter mais areias.
Juntamente com Elymus farctus surge agora a outra grande edificadora de dunas e pioneira na sua colonização: Ammophila arenaria, vulgarmente chamada estorno. Acompanham-na ainda Euphorbia paralias e já podem aqui ver-se os cordeirinhos da praia, Otanthus maritimus; Assim cresce a duna, com composição florística mais rica e variada.
Atingido o topo podem encontrar-se Calystegia soldanella, cujas sementes, bastante pesadas, se enterram facilmente, desta forma compensando factores adversos à sobrevivência da espécie, Lotus creticus, Eryngium maritimum, Crucianella maritima, Pancratium maritimum, a par com Ammophila arenaria que, aliás, cresce um pouco por todo o lado, em povoamentos mais ou menos densos, conforme a área em que se estabeleceu.
Na face interior desta duna e no interdunar que se lhe segue, em terreno já definitivamente fixado, ao lado de algumas das espécies já citadas outras se vêm juntar à lista de psamófitas: Helichrysum italicum, Pseudorlaya pumila, Thymus carnosu, Armeria pungens, Artemisia campestris subsp. maritima, Anthemis maritima, Corynephorus canescens, Linaria lamarckii, Linaria pedunculata, Reichardia gaditana, isto para mencionar apenas as mais abundantes ou conspícuas.
Não será demais salientar que Thymus carnosus é um endemismo português, quer dizer, esta planta existe exclusivamente em Portugal e somente no Alentejo e Algarve. É aquele pequeno tufo verde escuro, de porte amoitado, que, mais do que qualquer outra planta das dunas, quando esmagado deixa à sua volta um intenso e agradável perfume um tanto semelhante ao da lavanda.

As areias fixadas do interdunar oferecem boas condições para o crescimento de prostradas, de sistema radicular bastante curto, folhas em regra pequenas, que se espalham em amplas manchas arredondadas. São exemplos Paronychia argentea, Ononis variegata, Medicago littoralis, Polygonum maritimum ou Hypecoum procumbens, outra espécie que ocorre apenas no Algarve.
No limite para o sub-bosque salientam-se Anagallis monelli,
bonita prostrada de flores intensamente azuis, Linaria spartea, Scrophularia
frutescens, Cleome violacea, Corrigiola littoralis, Aetheorhiza bulbosa e
Pycnocomon rutifolium, esta também confinada ao Algarve e alguns poucos mais
locais da Europa mediterrânica.
Fonte: Instituto da Conservação da Natureza
Fonte: Instituto da Conservação da Natureza
07 agosto 2012
Parque Natural da Ria Formosa
O Parque Natural da Ria Formosa caracteriza-se pela
presença de um cordão dunar arenoso litoral (praias e dunas) que protege uma
zona lagunar. Uma parte do sistema lagunar encontra-se permanentemente
submersa, enquanto uma percentagem significativa emerge durante a baixa-mar. A
profundidade média da laguna é de 2 m.
Este sistema lagunar de grandes dimensões – estende-se desde o Ancão até à Manta Rota – inclui uma grande variedade de habitats: ilhas-barreira, sapais, bancos de areia e de vasa, dunas, salinas, lagoas de água doce e salobra, cursos de água, áreas agrícolas e matas, situação que desde logo indicia uma evidente diversidade florística e faunística.
A pesca e as necessidades de defesa são duas das
razões que juntaram os homens neste Sotavento Algarvio: Cacela, dominada pela
sua fortaleza setecentista; Tavira, que já foi romana e árabe; a Fuzeta, que se
originou num arraial de mareantes; Olhão, uma cidade que parece transposta de
um qualquer Norte de África; Faro, provavelmente a Ossonoba de que falavam os
antigos.
A zona lagunar do Sotavento algarvio apresenta um
óbvio valor ecológico e científico, económico e social e, desde há muito, está
sujeita a pressões da mais variada ordem ou não fosse o Algarve o mais
importante destino turístico em Portugal.
O Decreto-Lei nº 373/87, de 9 de Dezembro, criou o
Parque Natural da Ria Formosa traçando-lhe como objectivos primeiros a
protecção e a conservação do sistema lagunar, nomeadamente da sua flora e
fauna, incluindo as espécies migratórias, e respectivos habitats.
Ainda, pela necessidade de compatibilizar a
protecção do património natural e cultural e um desenvolvimento socio-económico
sustentado também foram contemplados objectivos relacionados com: o apoio a
actividades económicas tradicionais e a outras desde que compatíveis com a
utilização racional dos recursos; com a promoção de actividades de recreio,
lazer e turismo, tendo em conta as particularidades da área protegida e a sua
capacidade de carga; e ainda, não menos importante, com a implementação de
infraestruturas vocacionadas para a educação ambiental, de forma a sensibilizar
a população residente e os visitantes para a necessidade de preservar os
valores naturais e culturais e de que o Centro de Educação Ambiental de Marim é
um excelente exemplo.
Quando Visitar o PNRF?
O Parque Natural da Ria Formosa pode ser visitado
durante todo o ano, variando as melhores épocas de visita com os objectivos da
mesma.
Se o motivo da visita forem os valores culturais,
qualquer época do ano é conveniente, embora o Verão seja de evitar para aqueles
que procuram alguma tranquilidade.
Por outro lado, para quem procura conhecer os
valores naturais e em particular a fauna, então o Outono e o Inverno são as
épocas preferenciais.
A maior parte das espécies animais existentes na
Ria Formosa é dificilmente observável, à excepção das aves. Por isso, são as
aves, o seu voo, o seu colorido particular, que atraem desde logo a atenção de
todos.
Do ponto de vista da avifauna a Ria Formosa assume
uma importância decisiva atendendo a que representa uma zona de descanso para
aves migradoras, local de invernada para um número considerável de aves
aquáticas, local de nidificação para as que chegam na Primavera ou fazem da Ria
Formosa o seu habitat permanente.
Clique em 'Ler Mais' para ver algumas fotografias do Parque Natural da Ria Formosa da zona de Tavira e Pedras del Rei...
06 agosto 2012
Sagres – Festival Observação de Aves
"Sagres é uma região muito especial. Não só a paisagem que a rodeia é espetacular, como o seu património biológico é único na Europa. Aqui podemos encontrar uma enorme diversidade de habitats, desde os marinhos aos florestais, passando pelos estuarinos, os dunares e os agrícolas, que albergam, naturalmente, centenas de espécies de fauna e flora. Destacam-se vários endemismos florísticos, numerosos cetáceos, mamíferos terrestres e, claro, muitas aves. Estas últimas são a principal atração deste festival e, por isso, o programa de atividades centra-se, na sua maioria, em torno das mesmas. O evento pretende atrair participantes com diferentes gostos, expetativas e conhecimentos, sendo ideal para estudantes, amantes de natureza, observadores de aves mais ou menos experientes, famílias, etc.
Durante os dias do festival tem ao dispor inúmeras iniciativas, como saídas de campo, passeios de barco, ações de monitorização de aves com especialistas, palestras temáticas, cursos, jogos, tertúlias, atividades de educação ambiental, entre muitas outras. Os agentes locais, incluindo alojamentos, restauração e animação turística, uniram-se para bem receber os participantes oferecendo preços especiais e outras vantagens."
Podem ver Aqui o programa do festival assim como fazer as inscrições nas variadas actividades disponíveis, uma oportunidade a não perder!
Mais informação: www.birdwatchingsagres.com
19 julho 2011
Aryz
Graffiti é um tipo de arte que ainda sofre certos preconceitos mesmo entre profissionais da área criativa. Alguns artistas não gostam do estilo e acusam-no de desorganizado, borrado e com pouco detalhe. Para contrariar esta ideia surge o artista espanhol Aryz que mostra graffitis espantosos, não só pela dimensão, como também pelas cores e nível de detalhe.
Actualmente este tipo de arte começa a ganhar bastante força, principalmente pelo facto de transformarem edifícios devolutos, muros e outro tipo de construções abandonadas em verdadeiras obras de arte. Estas peças ganham uma nova identidade e significado, deixam de ser lixo visual para serem precisamente o oposto, em alguns casos, melhorando significativamente o aspecto visual da paisagem em que se inserem. Já aqui tinha referido artistas como o italiano BLU ou os brasileiros GÉMEOS e da intervenção de ambos na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa.
Tive conhecimento do trabalho de Aryz à relativamente à pouco tempo, aqui ficam alguns trabalhos:
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