25 dezembro 2012

Residência Bridle Road Cidade do Cabo, África do Sul

Fotografia: Scott Frances

Na base da Table Mountain na Cidade do Cabo, surge um dos jardins privados premiados este ano pela ASLA (American Society of Landscapes Architects), do atelier de arquitectura paisagista e interiores  Rees Roberts and Partners.



A integração do jardim na paisagem usando maioritariamente vegetação nativa, demonstra também a biodiversidade natural da região. Um jardim onde ecologia, sustentabilidade e design se juntam para criar espaços interessantes e de uma beleza única.



Foi destacado pela a ASLA pela sua contextualização ecológica. Com cerca de 1750 m² tem como ponto focal a piscina natural. Com processos de filtragem completamente naturais e ecológicos , a água é depois  bombeada para um lago, passa pelo interior da casa e novamente para o exterior numa série de cascatas, em simultâneo oxigenando a água que antes de chegar novamente à piscina passa  por uma zona de regeneração onde a plantas fazem naturalmente uma última filtragem.




Especialistas também em interiores, Rees Roberts and Partners, tornaram a casa e um jardim num único espaço trabalhando estas duas zonas ao mesmo tempo e utilizando o mesmo  conceito, unificando todo o projecto.



Ficha Técnica:
Designer
Rees Roberts + Partners LLC
David Kelly, ASLA, Partner
Arquitecto
Antonio Zaninovic
Interiores
Rees Roberts + Partners LLC
Lucien Rees Roberts
Consultores horticulas e paisagistas
Beyer Honig Landscapes
Bruce Beyer and Marijke Honig
Instalação da Piscina Natural
aQua-design
Jerome Davis
Construtor
Paul Wolpert
Selecção do Mobiliário Exterior
Rees Roberts + Partners LLC


 

23 novembro 2012

Dia da Floresta Autóctone [23/11/12]




O termo autóctone é sinonimo de nativo ou indígena, isto é, diz respeito a seres vivos originários do próprio território onde habitam.

Qual a importância das espécies autóctones?
As espécies autóctones estão mais adaptadas às condições edafo-climáticas do território, sendo mais resistentes a pragas, doenças e períodos longos de estio e chuvas intensas, em comparação com as espécies introduzidas.

Sabias que...
Os carvalhais autóctones constituem, apenas, 4% da nossa floresta actual e não possuem qualquer protecção legal, apesar da sua elevada importância ecológica;

As principais ameaças das florestas autóctones são:

  • Incêndios;
  • Pragas;
  • Doenças;
  • Invasão por espécies não autóctones;
  • Cortes prematuros e desordenados.

22 outubro 2012

A evolução silenciosa de Jason deCaires Taylor

Debaixo das águas cristalinas de Cancun, no México, centenas de esculturas de seres humanos atraem nova vida marinha ao fundo do oceano caribenho. É um trabalho conjunto de arte e conservação ambiental, em que as magníficas esculturas da instalação “A Silent Evolution", de Jason deCaires Taylor, se transformam em recifes artificiais para milhares de espécies marinhas.



São 400 esculturas, numa área de 420m2: homens, mulheres e crianças – seres humanos com impressionantes e belíssimas feições faciais. Taylor criou o que ele chama de um museu de arte submarino. www.underwatersculpture.com O projeto é uma iniciativa conjunta entre o artista, o Parque Nacional Marinho e a Associação Náutica de Cancun.

Mas qual o principal objectivo do escultor? As esculturas estão a transformar-se em recifes artificiais no fundo do mar. O Parque Nacional Marinho de Cancun, Isla Mujeres e Punta Nizuc, por exemplo, já estava em processo de degradação devido ao enorme fluxo de turistas – aproximadamente 750 mil por ano. Essa é a região mais visitada por turistas no México. Com a nova área de mergulho, ao redor da instalação A Evolução Silenciosa, o parque nacional caribenho poderá ser poupado e com o tempo, regenerar a vida marinha, já bastante fragilizada. O cimento utilizado nas esculturas é o ideal para o crescimento de coral. 





Apenas 10% a 15% do solo submarino têm sedimentos sólidos que permitem a formação de recifes naturalmente. Para estimular o crescimento e aumento dos recifes, têm sido criadas áreas artificiais com materiais duráveis e seguros ambientalmente. Esses projectos têm se revelado bastante eficientes, o que ajuda a equilibrar o ecossistema marinho e a minimizar a pressão e a destruição dos recifes naturais. Alguns pesquisadores prevêem que até 2050, cerca de 80% dos recifes naturais do planeta irão desaparecer.


Fonte: Planeta Sustentável

08 agosto 2012

Vegetação Dunar





As condições de formação e a dinâmica geomorfológica das dunas revelam que estas são estruturas instáveis. A proximidade do mar actua como factor fortemente selectivo na instalação e crescimento da sua vegetação.
Aparentemente simples, este meio é, na realidade, deveras complexo e precário. 

      

Não é por acaso que, no lado virado ao mar, se observa tão grande pobreza florística: as plantas costeiras estão sujeitas a ventos fortes carregados de partículas de sal, a luminosidades excessivas, a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante do verão ao frio cortante do inverno. Isto provoca apreciável transpiração na planta, o que, conjugado com a grande permeabilidade do solo dunar, que deixa infiltrar rapidamente a água que nele cai, irremediavelmente a condena a um ambiente hostil de xerofitismo, ou seja, a um ambiente em que prevalecem as condições de secura. 
A esta é preciso resistir, para sobreviver. E, na verdade, as plantas psamófitas, que vivem nas areias, sobrevivem porque desenvolveram adaptações mais ou menos profundas que impedem sobretudo as perdas excessivas de água. Todavia, não é só contra a dessecação que a planta luta; ela tem também que fazer frente ao soterramento, quando os ventos fortes ou constantes, vindos do mar, empurram as areias da praia para o interior. 

A primeira duna que se nos depara, chamada anteduna ou duna avançada, relativamente baixa e bastante instável, mostra, na parte virada ao mar e quase ao limite superior das marés, uma associação de Cakile maritima e Salsola kali. Já mais para o topo, Elymus farctus e, por vezes, Euphorbia paralias Euphorbia peplis. 


      

A vegetação nesta estreita faixa está muito espaçada e o vento movimenta facilmente as areias, que arrasta para o interior; não obstante a curta distância transposta, o novo local onde elas se depositam é mais acolhedor, sofre menos severamente os efeitos do vento e a aragem chega lá menos salgada. 
Criam-se condições, se não favoráveis, pelo menos mais favoráveis para a fixação de outras plantas; por sua vez, estas vão, por modos diversos, reter mais areias.
Juntamente com Elymus farctus surge agora a outra grande edificadora de dunas e pioneira na sua colonização: Ammophila arenaria, vulgarmente chamada estorno. Acompanham-na ainda Euphorbia paralias e já podem aqui ver-se os cordeirinhos da praia, Otanthus maritimusAssim cresce a duna, com composição florística mais rica e variada. 
Atingido o topo podem encontrar-se Calystegia soldanella, cujas sementes, bastante pesadas, se enterram facilmente, desta forma compensando factores adversos à sobrevivência da espécie, Lotus creticusEryngium maritimumCrucianella maritima,  Pancratium maritimum, a par com Ammophila arenaria que, aliás, cresce um pouco por todo o lado, em povoamentos mais ou menos densos, conforme a área em que se estabeleceu.


Na face interior desta duna e no interdunar que se lhe segue, em terreno já definitivamente fixado, ao lado de algumas das espécies já citadas outras se vêm juntar à lista de psamófitas: Helichrysum italicum, Pseudorlaya pumila, Thymus carnosu, Armeria pungens, Artemisia campestris subsp. maritima, Anthemis maritima, Corynephorus canescens, Linaria lamarckii, Linaria pedunculata, Reichardia gaditana, isto para mencionar apenas as mais abundantes ou conspícuas. 
Não será demais salientar que Thymus carnosus é um endemismo português, quer dizer, esta planta existe exclusivamente em Portugal e somente no Alentejo e Algarve. É aquele pequeno tufo verde escuro, de porte amoitado, que, mais do que qualquer outra planta das dunas, quando esmagado deixa à sua volta um intenso e agradável perfume um tanto semelhante ao da lavanda.



As areias fixadas do interdunar oferecem boas condições para o crescimento de prostradas, de sistema radicular bastante curto, folhas em regra pequenas, que se espalham em amplas manchas arredondadas. São exemplos Paronychia argentea, Ononis variegata, Medicago littoralis, Polygonum maritimum ou Hypecoum procumbens, outra espécie que ocorre apenas no Algarve.

No limite para o sub-bosque salientam-se Anagallis monelli, bonita prostrada de flores intensamente azuis, Linaria spartea, Scrophularia frutescens, Cleome violacea, Corrigiola littoralis, Aetheorhiza bulbosa e Pycnocomon rutifolium, esta também confinada ao Algarve e alguns poucos mais locais da Europa mediterrânica.


Fonte: Instituto da Conservação da Natureza