22 outubro 2012

A evolução silenciosa de Jason deCaires Taylor

Debaixo das águas cristalinas de Cancun, no México, centenas de esculturas de seres humanos atraem nova vida marinha ao fundo do oceano caribenho. É um trabalho conjunto de arte e conservação ambiental, em que as magníficas esculturas da instalação “A Silent Evolution", de Jason deCaires Taylor, se transformam em recifes artificiais para milhares de espécies marinhas.



São 400 esculturas, numa área de 420m2: homens, mulheres e crianças – seres humanos com impressionantes e belíssimas feições faciais. Taylor criou o que ele chama de um museu de arte submarino. www.underwatersculpture.com O projeto é uma iniciativa conjunta entre o artista, o Parque Nacional Marinho e a Associação Náutica de Cancun.

Mas qual o principal objectivo do escultor? As esculturas estão a transformar-se em recifes artificiais no fundo do mar. O Parque Nacional Marinho de Cancun, Isla Mujeres e Punta Nizuc, por exemplo, já estava em processo de degradação devido ao enorme fluxo de turistas – aproximadamente 750 mil por ano. Essa é a região mais visitada por turistas no México. Com a nova área de mergulho, ao redor da instalação A Evolução Silenciosa, o parque nacional caribenho poderá ser poupado e com o tempo, regenerar a vida marinha, já bastante fragilizada. O cimento utilizado nas esculturas é o ideal para o crescimento de coral. 





Apenas 10% a 15% do solo submarino têm sedimentos sólidos que permitem a formação de recifes naturalmente. Para estimular o crescimento e aumento dos recifes, têm sido criadas áreas artificiais com materiais duráveis e seguros ambientalmente. Esses projectos têm se revelado bastante eficientes, o que ajuda a equilibrar o ecossistema marinho e a minimizar a pressão e a destruição dos recifes naturais. Alguns pesquisadores prevêem que até 2050, cerca de 80% dos recifes naturais do planeta irão desaparecer.


Fonte: Planeta Sustentável

08 agosto 2012

Vegetação Dunar





As condições de formação e a dinâmica geomorfológica das dunas revelam que estas são estruturas instáveis. A proximidade do mar actua como factor fortemente selectivo na instalação e crescimento da sua vegetação.
Aparentemente simples, este meio é, na realidade, deveras complexo e precário. 

      

Não é por acaso que, no lado virado ao mar, se observa tão grande pobreza florística: as plantas costeiras estão sujeitas a ventos fortes carregados de partículas de sal, a luminosidades excessivas, a amplitudes térmicas que vão do sol escaldante do verão ao frio cortante do inverno. Isto provoca apreciável transpiração na planta, o que, conjugado com a grande permeabilidade do solo dunar, que deixa infiltrar rapidamente a água que nele cai, irremediavelmente a condena a um ambiente hostil de xerofitismo, ou seja, a um ambiente em que prevalecem as condições de secura. 
A esta é preciso resistir, para sobreviver. E, na verdade, as plantas psamófitas, que vivem nas areias, sobrevivem porque desenvolveram adaptações mais ou menos profundas que impedem sobretudo as perdas excessivas de água. Todavia, não é só contra a dessecação que a planta luta; ela tem também que fazer frente ao soterramento, quando os ventos fortes ou constantes, vindos do mar, empurram as areias da praia para o interior. 

A primeira duna que se nos depara, chamada anteduna ou duna avançada, relativamente baixa e bastante instável, mostra, na parte virada ao mar e quase ao limite superior das marés, uma associação de Cakile maritima e Salsola kali. Já mais para o topo, Elymus farctus e, por vezes, Euphorbia paralias Euphorbia peplis. 


      

A vegetação nesta estreita faixa está muito espaçada e o vento movimenta facilmente as areias, que arrasta para o interior; não obstante a curta distância transposta, o novo local onde elas se depositam é mais acolhedor, sofre menos severamente os efeitos do vento e a aragem chega lá menos salgada. 
Criam-se condições, se não favoráveis, pelo menos mais favoráveis para a fixação de outras plantas; por sua vez, estas vão, por modos diversos, reter mais areias.
Juntamente com Elymus farctus surge agora a outra grande edificadora de dunas e pioneira na sua colonização: Ammophila arenaria, vulgarmente chamada estorno. Acompanham-na ainda Euphorbia paralias e já podem aqui ver-se os cordeirinhos da praia, Otanthus maritimusAssim cresce a duna, com composição florística mais rica e variada. 
Atingido o topo podem encontrar-se Calystegia soldanella, cujas sementes, bastante pesadas, se enterram facilmente, desta forma compensando factores adversos à sobrevivência da espécie, Lotus creticusEryngium maritimumCrucianella maritima,  Pancratium maritimum, a par com Ammophila arenaria que, aliás, cresce um pouco por todo o lado, em povoamentos mais ou menos densos, conforme a área em que se estabeleceu.


Na face interior desta duna e no interdunar que se lhe segue, em terreno já definitivamente fixado, ao lado de algumas das espécies já citadas outras se vêm juntar à lista de psamófitas: Helichrysum italicum, Pseudorlaya pumila, Thymus carnosu, Armeria pungens, Artemisia campestris subsp. maritima, Anthemis maritima, Corynephorus canescens, Linaria lamarckii, Linaria pedunculata, Reichardia gaditana, isto para mencionar apenas as mais abundantes ou conspícuas. 
Não será demais salientar que Thymus carnosus é um endemismo português, quer dizer, esta planta existe exclusivamente em Portugal e somente no Alentejo e Algarve. É aquele pequeno tufo verde escuro, de porte amoitado, que, mais do que qualquer outra planta das dunas, quando esmagado deixa à sua volta um intenso e agradável perfume um tanto semelhante ao da lavanda.



As areias fixadas do interdunar oferecem boas condições para o crescimento de prostradas, de sistema radicular bastante curto, folhas em regra pequenas, que se espalham em amplas manchas arredondadas. São exemplos Paronychia argentea, Ononis variegata, Medicago littoralis, Polygonum maritimum ou Hypecoum procumbens, outra espécie que ocorre apenas no Algarve.

No limite para o sub-bosque salientam-se Anagallis monelli, bonita prostrada de flores intensamente azuis, Linaria spartea, Scrophularia frutescens, Cleome violacea, Corrigiola littoralis, Aetheorhiza bulbosa e Pycnocomon rutifolium, esta também confinada ao Algarve e alguns poucos mais locais da Europa mediterrânica.


Fonte: Instituto da Conservação da Natureza

07 agosto 2012

Parque Natural da Ria Formosa

O Parque Natural da Ria Formosa caracteriza-se pela presença de um cordão dunar arenoso litoral (praias e dunas) que protege uma zona lagunar. Uma parte do sistema lagunar encontra-se permanentemente submersa, enquanto uma percentagem significativa emerge durante a baixa-mar. A profundidade média da laguna é de 2 m.

Este sistema lagunar de grandes dimensões – estende-se desde o Ancão até à Manta Rota – inclui uma grande variedade de habitats: ilhas-barreira, sapais, bancos de areia e de vasa, dunas, salinas, lagoas de água doce e salobra, cursos de água, áreas agrícolas e matas, situação que desde logo indicia uma evidente diversidade florística e faunística.

A pesca e as necessidades de defesa são duas das razões que juntaram os homens neste Sotavento Algarvio: Cacela, dominada pela sua fortaleza setecentista; Tavira, que já foi romana e árabe; a Fuzeta, que se originou num arraial de mareantes; Olhão, uma cidade que parece transposta de um qualquer Norte de África; Faro, provavelmente a Ossonoba de que falavam os antigos.


A zona lagunar do Sotavento algarvio apresenta um óbvio valor ecológico e científico, económico e social e, desde há muito, está sujeita a pressões da mais variada ordem ou não fosse o Algarve o mais importante destino turístico em Portugal.

O Decreto-Lei nº 373/87, de 9 de Dezembro, criou o Parque Natural da Ria Formosa traçando-lhe como objectivos primeiros a protecção e a conservação do sistema lagunar, nomeadamente da sua flora e fauna, incluindo as espécies migratórias, e respectivos habitats.
Ainda, pela necessidade de compatibilizar a protecção do património natural e cultural e um desenvolvimento socio-económico sustentado também foram contemplados objectivos relacionados com: o apoio a actividades económicas tradicionais e a outras desde que compatíveis com a utilização racional dos recursos; com a promoção de actividades de recreio, lazer e turismo, tendo em conta as particularidades da área protegida e a sua capacidade de carga; e ainda, não menos importante, com a implementação de infraestruturas vocacionadas para a educação ambiental, de forma a sensibilizar a população residente e os visitantes para a necessidade de preservar os valores naturais e culturais e de que o Centro de Educação Ambiental de Marim é um excelente exemplo.



Quando Visitar o PNRF?

O Parque Natural da Ria Formosa pode ser visitado durante todo o ano, variando as melhores épocas de visita com os objectivos da mesma.
Se o motivo da visita forem os valores culturais, qualquer época do ano é conveniente, embora o Verão seja de evitar para aqueles que procuram alguma tranquilidade.
Por outro lado, para quem procura conhecer os valores naturais e em particular a fauna, então o Outono e o Inverno são as épocas preferenciais.
A maior parte das espécies animais existentes na Ria Formosa é dificilmente observável, à excepção das aves. Por isso, são as aves, o seu voo, o seu colorido particular, que atraem desde logo a atenção de todos.
Do ponto de vista da avifauna a Ria Formosa assume uma importância decisiva atendendo a que representa uma zona de descanso para aves migradoras, local de invernada para um número considerável de aves aquáticas, local de nidificação para as que chegam na Primavera ou fazem da Ria Formosa o seu habitat permanente.

Clique em 'Ler Mais' para ver algumas fotografias do Parque Natural da Ria Formosa da zona de Tavira e Pedras del Rei...

06 agosto 2012

Sagres – Festival Observação de Aves

"Sagres é uma região muito especial. Não só a paisagem que a rodeia é espetacular, como o seu património biológico é único na Europa. Aqui podemos encontrar uma enorme diversidade de habitats, desde os marinhos aos florestais, passando pelos estuarinos, os dunares e os agrícolas, que albergam, naturalmente, centenas de espécies de fauna e flora. Destacam-se vários endemismos florísticos, numerosos cetáceos, mamíferos terrestres e, claro, muitas aves. Estas últimas são a principal atração deste festival e, por isso, o programa de atividades centra-se, na sua maioria, em torno das mesmas. O evento pretende atrair participantes com diferentes gostos, expetativas e conhecimentos, sendo ideal para estudantes, amantes de natureza, observadores de aves mais ou menos experientes, famílias, etc.

Durante os dias do festival tem ao dispor inúmeras iniciativas, como saídas de campo, passeios de barco, ações de monitorização de aves com especialistas, palestras temáticas, cursos, jogos, tertúlias, atividades de educação ambiental, entre muitas outras. Os agentes locais, incluindo alojamentos, restauração e animação turística, uniram-se para bem receber os participantes oferecendo preços especiais e outras vantagens."

Podem ver Aqui o programa do festival assim como fazer as inscrições nas variadas actividades disponíveis, uma oportunidade a não perder!

Mais informação: www.birdwatchingsagres.com

19 julho 2011

Aryz

Graffiti é um tipo de arte que ainda sofre certos preconceitos mesmo entre profissionais da área criativa. Alguns artistas não gostam do estilo e acusam-no de desorganizado, borrado e com pouco detalhe. Para contrariar esta ideia surge o artista espanhol Aryz que mostra graffitis espantosos, não só pela dimensão, como também pelas cores e nível de detalhe. 
Actualmente este tipo de arte começa a ganhar bastante força, principalmente pelo facto de transformarem edifícios devolutos, muros e outro tipo de construções abandonadas em verdadeiras obras de arte. Estas peças ganham uma nova identidade e significado, deixam de ser lixo visual para serem precisamente o oposto, em alguns casos, melhorando significativamente o aspecto visual da paisagem em que se inserem. Já aqui tinha referido artistas como o italiano BLU ou os brasileiros GÉMEOS e da intervenção de ambos na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa.

Tive conhecimento do trabalho de Aryz à relativamente à pouco tempo, aqui ficam alguns trabalhos:


18 julho 2011

Água em Pequenos Jardins ou Terraços

"A água tem um encanto mágico, atraindo a luz, o som e o movimento a um jardim pequeno. A água parada reflecte cores e formas, enquanto as cascatas e as fontes dançam com o brilho da luz do Sol. A água também atrai uma variedade de vida animal, oferecendo às rãs, aos sapos e aos tritões um lugar para viverem, e aos pássaros um local para se banharem. Os peixes adicionam cor e movimento, enquanto as libelinhas e outros insectos irão executar bailados aéreos à superfície."



Mesmo para quem tem um pequeno jardim ou apenas um terraço ou varanda, pode desfrutar do elemento água, assim como das diversas espécies de plantas aquáticas e semi-aquáticas.

Antes de construir qualquer instalação com água, é preciso ter em consideração o tamanho e custo para nos certificar-mos que é correcta para o nosso jardim e para o nosso orçamento. Mesmo os jardins mais pequenos poderão acolher grandes formas como um riacho ou uma cascata, apesar de que um lago com proporções mais limitas adequar-se-ia melhor a um local mais pequeno ou a parte de um esquema maior.

Criando diferentes ambientes tais como Natural, Formal, Modernista, Contemporâneo ou até Rústico,  o elemento água pode surgir do jardim de diversas formas: Cascatas naturais, praia de seixos, lagos plantados, caminhos de pedras, refúgios de vida selvagem, lagos elevados, pátios, fontes, muros de água, espelhos de agua ou superfícies reflexas, tanque rústico, globos de pedra, bicas contemporâneas, a típica cabeça de leão (fonte), louças recicladas (ex. banheira), madeiras recicladas, fontes auto-suficientes, canais, entre outros. 
Em seguida são apresentados alguns dos exemplos referidos.








TIPOS DE VEGETAÇÃO AQUÁTICA

VASCULARES RADICULARES
Esta subclasse inclui habitats com a vegetação dominada por espécies vasculares enraizadas no substrato. Nos sistemas Fluvial, Lacustre e Palustre as plantas vasculares radiculares ocorrem em diversas profundidades em águas paradas ou movimentadas. Por exemplo: Iris pseudacorus; Calla palustris; Equisetum sp.; Typha angustifolia.

FOLHAS FLUTUANTES
Esta subclasse inclui habitats com a vegetação dominada por espécies vasculares submersas em que as folhas se encontram, total ou parcialmente, à superfície. Por exemplo: Nymphaea sp.; Nuphar lutea; Nymphoides peltata; Aponogeton distachyos.

VASCULARES FLUTUANTES
Inclui habitats com a vegetação dominada por espécies que flutuam livremente na água ou à sua superfície. A cobertura desta vegetação é superior a 30%. As populações destas plantas podem ser movimentadas pela acção do vento ou das correntes. (Estas plantas têm, por norma, características invasoras no nosso País). Por exemplo: Eicchornia crassipes; Pistia stratiotes; Lemna sp.

LISTA DE PLANTAS AQUÁTICAS AQUI


Para quem estiver interessado em construir um lago num barril rústico, num recipiente, um canteiro aquático elevado, um lago florido ou até mesmo uma pequena cascata recomendo este livro:


No final trás uma lista de espécies de plantas aquáticas e semi-aquáticas, assim como também auxilia na manutenção de espaços aquáticos.

03 fevereiro 2011

As 10 Florestas mais Ameaçadas do Mundo

O Ano Internacional das Florestas foi lançado oficialmente ontem (02/02/2011) pela ONU. Para enfatizar a data e alertar para a importância da preservação, a ONG Conservação Internacional divulga as principais florestas que correm o riscos de desaparecer do mapa.

"Cobrem apenas 30% da área do planeta. Ainda assim, abrigam 80% da biodiversidade terrestre mundial. 
As florestas também são directamente importantes para a sobrevivência dos humanos. Estima-se que 1,6 bilião de pessoas dependem delas para garantir o seu sustento. Além disso, muitas das necessidades mais básicas para a sobrevivência do homem na Terra vêm das interações entre as espécies de plantas e animais com os ecossistemas, como a polinização de safras agrícolas, os solos saudáveis, os remédios, o ar puro e a água doce. 
Apesar de terem tanta importância, a devastação vem destruindo as florestas. Com o objectivo de alertar todo o mundo para a necessidade de conservá-las, a ONU declarou 2011 como o Ano Internacional das Florestas, que é inaugurado oficialmente hoje, dia 2 de Fevereiro de 2011, em Nova York. A ONG CI - Conservação Internacional aproveita a ocasião para divulgar os dez hotspots florestais mais ameaçados de extinção do mundo. Para ser considerado um hotspot, a área deve ter riqueza biológica extrema, índice elevado de espécies únicas de animais e plantas, além de estar altamente degradada, com grande risco de desaparecer. No caso da lista de hotspots florestais, a CI considerou florestas que já perderam 90% ou mais de sua cobertura original e que abrigam, cada uma, pelo menos 1.500 espécies de plantas endémicas (que só existem naquele local). 

A lista inclui florestas no sudeste asiático, na Nova Zelândia, nas montanhas do centro-sul da China, na região costeira da África Oriental e na ilha de Madagáscar." 

Segue em baixo as 10 Florestas mais ameaçadas do Mundo:

1. REGIÕES DA INDO-BIRMÂNIA (Ásia-Pacífico)
Habitat remanescente: 5%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais húmidas


"suas planícies aluviais são ameaçadas pelo cultivo de arroz, mangues foram convertidos em reservatórios de aquicultura de camarão e a pesca excessiva e o uso de técnicas de pesca destrutiva são problemas graves para os ecossistemas costeiros e de água doce da região. Além disso, alguns rios foram represados para gerar eletricidade, o que causou o alagamento de bancos de areia e outros hábitats que normalmente seriam expostos durante a estação seca, importantes para os ninhos de aves e tartarugas. Os rios e pântanos desse hotspot também são importantes para a conservação de peixes de água doce, incluindo alguns dos maiores peixes de água doce do mundo. O Lago Tonle Sap e o Rio Mekong são hábitats para a lampreia gigante Mekong e a carpa dourada de Jullien. Apenas 5% do habitat original ainda está lá."



2. NOVA ZELÂNDIA (Oceania)
Habitat remanescente: 5%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais húmidas


"Terra de paisagens variadas com grandes índices de espécies endêmicas, incluindo o kiwi, seu representante mais famoso. Neste arquipélago montanhoso dominado pelas florestas temperadas, nenhum dos mamíferos, anfíbios ou répteis é encontrado em outro lugar do mundo. As espécies invasoras, como as que chegaram no século XIX com os europeus, são uma série ameaça à flora e à fauna das ilhas. Foram levadas ao arquipélago 34 espécies exóticas de mamíferos (como gambás, coelhos, gatos, cabras e furões) e centenas de espécies de ervas daninhas. Nos últimos 200 anos, somando-se o impacto da caça e da destruição de hábitats, houve extinção de inúmeras espécies de aves, invertebrados, plantas e de um morcego e um peixe endêmicos. A drenagem de pântanos também é um problema-chave. Há apenas 5% de remanescentes do hábitat original do arquipélago"




3. SUNDA (Ásia-Pacífico)
Habitat remanescente: 7%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais húmidas


"Esta floresta cobre a metade ocidental do arquipélago Indo-Maláio, um arco de cerca de 17 mil ilhas equatoriais, dominado pelas duas maiores ilhas do mundo: Boréo e Sumatra. Suas espetaculares flora e fauna estão sucumbindo devido ao crescimento explosivo da indústria florestal e do comércio internacional de animais que consome tigres, macacos e espécies de tartarugas para alimentos e remédios em outros países. Populações endêmicas de orangotangos estão em dramático declínio. Outros fatores que levam à degradação são a produção de borracha, óleo de dendê e celulose. Em Sumatra, o corte e a extração ilegal de madeira - e outros produtos florestais - abastecem a alta demanda da China, América do Norte, Europa e Japão. Só 7% da extensão original da floresta permanece mais ou menos intactos."




4. FILIPINAS (Ásia-Pacífico)
Habitat remanescente: 7%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais húmidas


"É considerado um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo. Diversas espécies endêmicas estão confinadas a fragmentos de florestas que cobrem apenas 7% da extensão original do hotspot, que abrange mais de 7.100 ilhas. Ocorrem só lá cerca de seis mil espécies de plantas endêmicas e diversas espécies de aves, como a águia das Filipinas (Pithecophaga jefferyi), a segunda maior águia do mundo. Outro exemplo é o sapo voador pantera (Rhacophorus pardalis), que passou por diversas adaptações para planar, como as abas extras na pele e as membranas entre os dedos. Toda a riqueza está ameaçada pela atividade madeireira. Os poucos remanescentes também são dizimados pela agricultura e para acomodar as necessidades do alto crescimento populacional. O sustento de cerca de 80 milhões de pessoas depende principalmente de recursos naturais provenientes das florestas."




5. MATA ATLÂNTICA (América do Sul)
Habitat remanescente: 8%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais húmidas


"Estende-se por toda a costa atlântica brasileira, e por para partes do Paraguai, Argentina e Uruguai, incluindo também ilhas oceânicas e o arquipélago de Fernando de Noronha. O bioma 20 mil espécies de plantas, sendo 40% delas endêmicas. Mais de duas dúzias de espécies de vertebrados, como os leões-marinhos e seis espécies de aves de uma pequena faixa no Nordeste, estão ameaçados de extinção, listadas como “criticamente em perigo”. A região é desmatada há centenas de anos, por causa do ciclo da cana-de-açúcar, das plantações de café, e, mais recentemente, por conta da crescente urbanização e industrialização do Rio de Janeiro e de São Paulo. O suprimento de água doce desse remanescente florestal abastece mais de 100 milhões de pessoas, a indústria têxtil, agricultura, fazendas de gado e atividade madeireira da região. Sobrou apenas 10% da floresta original."




6. MONTANHAS DO CENTRO-SUL DA CHINA (Ásia)
Habitat remanescente: 8%
Tipo de Vegetação: Florestas Coníferas temperadas


"Abrigam uma ampla gama de hábitats incluindo a flora temperada com a maior taxa de endemismo no mundo. O ameaçado panda gigante (Ailuropoda melanoleuca), quase totalmente restrito a essas pequenas florestas, é a bandeira da conservação da região. Essas montanhas também alimentam a maioria dos sistemas hídricos da Ásia, incluindo diversas ramificações do rio Yangtze. As atividades ilegais de caça, coleta de lenha e pastagem são algumas das principais ameaças à biodiversidade da região. A construção da maior barragem do mundo, a de Três Gargantas, no rio Yangtze, ameaça a biodiversidade da área. Apesar disso, a construção de barragens está sendo planejada em todos os rios principais da floresta, o que deve afetar os ecossistemas e a subsistência de milhões de pessoas. Apenas cerca de 8% da extensão original do hotspot permanece inalterado."




7. PROVÍNCIA FLORÍSTICA DA CALIFÓRNIA (América do Norte)
Habitat remanescente: 10%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais secas


"É uma zona de clima mediterrâneo com altos índices de plantas endêmicas. É o lar da sequoia gigante, o maior organismo vivo do planeta, e alguns dos últimos condores da Califórnia, a maior ave da América do Norte. Também é o local de maior reprodução de aves dos Estados Unidos. Diversas espécies de grandes mamíferos da região estão extintas, incluindo o urso cinzento (Ursus arctos), que aparece na bandeira da Califórnia e é símbolo do estado há mais de 150 anos. A maior ameaça vem da destruição causada pela agricultura comercial, que gera metade de todos os produtos agrícolas dos EUA. O hotspot também corre risco com a expansão de áreas urbanas, poluição e construção de estradas, fatores que tornaram a Califórnia um dos quatro estados mais degradados do país. Hoje resta cerca de 10% da vegetação original."




8. FLORESTAS COSTEIRAS DA ÁFRICA ORIENTAL (África)
Habitat remanescente: 10%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais húmidas


"Apesar de pequenos e fragmentados, elas contêm altos níveis de biodiversidade. Lá são encontrados cerca de 200 mamíferos, sendo 11 endêmicos, entre eles o musaranho-elefante (Rhynchocyon chrysopygus). Os primatas são espécies-símbolo desse hotspot, incluindo três espécies de macacos endêmicos, duas delas encontradas ao longo do rio Tana, que corta o Quênia Central. Além disso, as 40 mil variedades cultivadas da violeta africana, que movimenta US$100 milhões anualmente no comércio global de folhagens, são derivadas de um punhado de espécies encontradas nas florestas costeiras da Tanzânia e do Quênia. O risco de extinção das Florestas Costeiras da África Oriental ocorre por causa da expansão agrícola e das fazendas comerciais, que consomem os recursos naturais da região. Resta 10% das florestas originais."




9. MADAGÁSCAR E ILHAS DO OCEANO ÍNDICO (África)
Habitat remanescente: 10%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais húmidas


"Trata-se de um hotspot de exemplo da evolução de espécies em isolamento. Apesar de estarem próximas da África, as ilhas não compartilham qualquer grupo de animais do continente e contêm uma exuberante coleção única de espécies. O hotspot possui oito famílias de plantas, quatro de aves e cinco de primatas que não existem em nenhum outro lugar. As mais de 50 espécies de lêmures de Madagascar são os símbolos para a conservação da ilha, apesar de diversas delas já estarem em extinção. É uma das áreas mais prejudicadas economicamente no mundo, com um rápido crescimento populacional que pressiona o ambiente natural. Ameaças crescentes são a agricultura, a caça, a mineração e a extração não sustentável de madeira. A preservação dos 10% de hábitat original restantes é importante, uma vez que metade da população não tem acesso adequado à água doce."




10. FLORESTAS DE AFROMONTANE (África Oriental)
Habitat remanescente: 11%
Tipo de Vegetação: Florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais húmidas; Savanas e Vegetações de Montanha


"Se concentra nas montanhas distribuídas ao longo da extremidade oriental da África, desde a Arábia Saudita ao norte até o Zimbábue ao sul. Apesar de geograficamente dispersas, as montanhas têm flora extraordinariamente similar. O gênero de árvore mais frequente é o Podocarpus. Uma zona de bambu é normalmente encontrada entre as altitudes de dois e três mil metros, acima da qual existe uma zona de floresta Hagenia, até uma altitude de 3.600 metros. O Vale do Rift abriga mais mamíferos, aves e anfíbios endêmicos do que qualquer outra região da África. Devido aos grandes lagos da região, há 617 espécies endêmicas peixes de água doce. A principal ameaça a essas florestas é a expansão da agricultura, especialmente com grandes plantações de banana, feijão e chá. O crescente mercado de carne, que coincide com o aumento da população, também poe em risco a região, com apenas 10% de seu hábitat original remanescente."


06 janeiro 2011

Escola Primária na Dinamarca

O estúdio Bjarke Ingels Group apresentou o seu mais recente projecto, uma escola primária a ser construída na cidade de Asminderod, na Dinamarca. 



Uma encosta ondulada intocada serve como pano de fundo para as futuras instalações da instituição de ensino, tanto das suas salas de aula, como dos espaços dedicados às actividades ao ar livre.


Além de permitir a entrada de luz natural em todos os ambientes, a solução preserva as características do terreno e cumpre com a missão da escola - educar com respeito à natureza.


O arquitecto líder do BIG, o dinamarquês Bjarke Ingels venceu o European Prize for Architecture de 2010, prêmio concedido anualmente pelo European Centre for Architecture Art Design and Urban Studies e pelo The Chicago Athenaeum: Museum of Architecture and Design.

Com apenas 38 anos de idade, Ingels é considerado o principal representante de uma nova geração de arquitectos europeus por realizar projetos que conciliam sustentabilidade e formas surpreendentes. 

O projecto mais celebrado do BIG é um conjunto de 800 apartamentos chamado Mountain Dwellings, concluído no ano de 2008 em Copenhague, cuja solução de teto-verde é copiada em todo mundo.


29 novembro 2010

Trienal de Arquitectura 2010 [Falemos de Casas]

Projecto dos Alunos do ISA - Menção Honrosa

É com grande contentamento que felicito os meus colegas de turma e curso pelo lugar alcançado no concurso Trienal de Arquitectura de Lisboa: Falemos de Casas. Este consistia na realização de um projecto para o conhecido bairro da Cova da Moura.

Dos 77 trabalhos levados a concurso, contavam-se 9 projectos desenvolvidos pelas Escolas de Arquitectura Paisagista Nacionais, nomeadamente a Universidade do Algarve a Universidade do Porto e a Universidade Técnica de Lisboa ( ISA), os quais envolveram na sua totalidade 65 alunos e 8 docentes .

Em meados do mês de Julho foi divulgada uma shortlist resultante de uma primeira selecção de 30 trabalhos, a qual incluía 5 projectos de Escolas de Arquitectura Paisagista (Porto, Algarve e Lisboa).

O júri no relatório do concurso refere que os 30 projectos seleccionados destacaram-se porque "apresentavam estratégias claras, quer de interligação territorial, quer de reinvenção do espaço público “ .... “ Sobressaíram trabalhos que, colocando em evidência os valores encontrados no território, propunham estratégias de actuação exequíveis “.... “Trabalhos que ultrapassaram a mera dimensão arquitectónica e que apresentavam soluções que podem ser impulsionadores de regeneração do território e do edificado, nunca esquecendo as especificidades culturais e as intrincadas teias sociais já estabelecidas".

Em sessão solene que ocorreu no dia da inauguração foram divulgados os trabalhos premiados (1º lugar e três menções honrosas), tendo sido anunciado que o Projecto desenvolvido pelo grupo de alunos do ISA/UTL foi distinguido com uma Menção Honrosa.


Fico particularmente satisfeito pois conseguiram elevar o nome da Arquitectura Paisagista (e do ISA) num concurso praticamente direccionado para a Arquitectura. Assim sendo, os meus Parabéns à equipa vencedora, mas especialmente aos meus caros colegas: Catarina Doria, Hugo Guiomar, Marta Mendonça, Nuno Faia, José Silva e Rita Lopes, sob coordenação da Prof. Teresa Alfaiate e Arq. Paisagista Catarina Raposo.


A exposição, patente no Museu da Electricidade irá estar aberta ao público até ao próximo dia 16 de Janeiro de 2011

http://www.trienaldelisboa.com/pt

28 novembro 2010

27 novembro 2010

Parco Pubblico CityLife

INTERNATIONAL PLANNING COMPETITION FOR A PRIVATE PROJECT PARK OF CITYLIFE




The international competition for the design of the CityLife public park concluded on 27 October with the proclamation of the winning project, announced in the presence of the mayor of the city, Letizia Moratti, at the Urban Center.

The competition was won by the project submitted by the landscape design studio Gustafson Porter (United Kingdom) together with !Melk, One Works and Ove Arup, entitled A park between the mountains and the plain.

Proap (Portugal) came second with the project entitled The best of both worlds, and Atelier Girot (Switzerland), came third with the project Radura. The other design groups participating in the competition were: Agence TER (France); Erika Skabar (Italy); Latitude nord (France); Latz + Partner (Germany) and Rainer Schmidt Landschaftsarchitekten (Germany).

All eight design projects are on display at the Urban Center from 28 October to 30 November, as part of the exhibition Verde a Milano. Concorso internazionale per la progettazione del Parco pubblico di CityLife (Green space in Milan. The international competition for the design of the CityLife public park). The winners will be asked to present the definitive project by 31 December 2010.

The CityLife Park covers an area of about 170,000 square metres and is the third biggest park in central Milan (with an area comparable to 30 football fields). The Park, which is a full integrated part of the requalification of the area, will be completed in different stages. The first - in which the Hadid and Libeskind Residences are located and which overlooks Piazzale Giulio Cesare - will be completed by 2012. All work on the park will be completed by 2015.

The guidelines for the competition, which were jointly drawn up by the local authority and CityLife, foresee the creation of a prestigious public space for the city that is fully integrated with the urban context and responsive to the latest standards of environmental sustainability. The landscaping of this new green area is expected to create an ecologically sustainable park that, specifically: ensures the protection of biodiversity through the use of local trees and plants rather than invasive and exotic varieties; contributes to reducing atmospheric pollution and stimulates the absorption of CO2 and water saving; as well as making use, as far as possible, of plant and systems that use renewable energy. But it must also be a symbolic and representative park, located in an historic area of the city that is undergoing a huge transformation, starting with the CityLife area itself. And, finally, it must be a connecting park that brings together all of the functions within it (residential, professional, cultural and leisure) and the different levels elevation of the project, in a manner that is structurally consistent with Milan’s greater system of green spaces. In particular the park should connect certain functions of excellence that are foreseen for the CityLife area: from the Palazzo delle Scintille in Piazza VI Febbraio, to the Museum of Contemporary Art and the Centro Congressi of Fiera Milano in the north-west of the area.